terça-feira, 22 de março de 2011

Deus Lhe pague

Olá pessoal,

Semana passada foi carnaval e acabei não tendo tempo de postar nada, mas o post anterior já foi sobre carnaval justamente porque eu previa que isso pudesse acontecer.

O post de hoje é sobre interpretações de músicas. Não estou querendo listar nem dizer favoritas, isso seria impossível. Praticamente todas as músicas têm regravações, ou seja, são interpretadas por outros cantores (ou pelos mesmos :P). O mundo musical é feito de diversas interpretações das músicas existentes.

Não estou aqui entrando no mérito de versões e traduções, isso pode ficar para outro post :)

Vários cantores pegam uma música já existente e dão uma nova roupagem, tocam mais lenta, mais rápida, colocam arranjos, mas seguem a melodia da música, ou seja, se eu conheço a música, eu consigo cantar junto.

O que me chamou atenção para o post de hoje são interpretações que, para mim, deveriam ser chamadas de paródias. O intérprete pega a letra da música e a canta com uma melodia completamente diferente, muitas vezes até com as divisões das estrofes diferentes. Se você conhece a música, não adianta, você não vai conseguir cantar junto. Na maioria das vezes você nem reconhece a música :(

Eu particularmente não gosto desse tipo de modificação, já que o compositor muitas vezes se preocupa na hora de casar letra e melodia, aquela palavra foi escolhida para aquele lugar por causa da melodia, da sonoridade. Vi um comentário sobre a música Beatriz de Chico Buarque e Edu Lobo dizendo que a parte mais aguda da melodia é cantada com a palavra “céu” e a parte mais baixa/grave está com a palavra “chão”, se você tira a melodia, você tira todo o trabalho da parceria.

Ou seja, cantando uma letra com uma melodia totalmente diferente, o intérprete está acabando com o trabalho do compositor, jogando no lixo, é como se ele estivesse pegando um poema e musicando, só a letra serve.

Alguns dizem: “Mas isso foi feito para mudar o estilo!”. Não é preciso acabar com a melodia para mudar o estilo. Irei mostrar aqui versões originais e versões que mudaram a melodia da música e depois versões originais e versões que mudaram o estilo sem mudar a melodia.

Antes gostaria de deixar claro que não tenho nada contra esses intérpretes que mostrarei, gosto deles, mas só achei infeliz essa interpretação específica, não pela voz ou arranjo, mas por não estar tocando a mesma música, só ter aproveitado a letra.

A primeira música é “Your Song” de Elton John e Bernie Taupin. Vejam a versão original:




Agora a versão de Billy Paul, não é diferente?



A segunda música é a que me levou a esse post, “Deus lhe pague” de Chico Buarque:




A versão do Rappa divide as estrofes de forma diferente, além de estar cantando outra melodia, né?



Agora, exemplos bem sucedidos, eles souberam mudar o estilo sem arrancar a melodia.

A primeira música é “Proibida pra Mim” de Charlie Brown Jr.



A versão de Zeca Baleiro tornou o rock em uma música lenta e, porque não dizer, romântica, mas a melodia é a mesma, dá pra cantar junto.



A segunda música é “Over the Raimbow” de Harold Arlen e E.Y.Harburg largamente conhecida no filme “O mágico da Oz”, cantada por Judy Garland.



A versão de Israel Kamakawiwo'ole (que faz uma junção com What a Wonderful World de Louis Armstrong) transformou a música em algo meio surf, meio havaiano, um estilo bem diferente, mas a melodia está lá, a gente canta junto.



Não sei se todos entenderam onde eu queria chegar, espero ter explicado bem meu ponto de vista.

Bjo a todos

quarta-feira, 2 de março de 2011

Noite dos Mascarados

Carnaval!!!

Pessoal, o carnaval chegando e as músicas de carnaval começam a pipocar :)

Gostaria de falar um pouco das músicas que, para mim, representam o carnaval. Começo com as marchinhas, acho elas a representação real do carnaval, são as músicas que me fazem imaginar bailes com as pessoas fantasiadas, alegres, cantando essas letras antigas, mas sempre na moda. As letras são fáceis para que uma pessoa, na situação que está na festa (trêbada) possa aprender e acompanhar rapidamente. Vou listar algumas de milhões que existem:

ABRE ALAS

(Chiquinha Gonzaga, 1899)

Ó abre alas que eu quero passar

Ó abre alas que eu quero passar

Eu sou da lira não posso negar

Eu sou da lira não posso negar

...

CABELEIRA DO ZEZÉ

(João Roberto Kelly-Roberto Faissal, 1963)

Olha a cabeleira do zezé

Será que ele é

Será que ele é

...

CACHAÇA

(Mirabeau Pinheiro-Lúcio de Castro-Heber Lobato, 1953)

Você pensa que cachaça é água

Cachaça não é água não

Cachaça vem do alambique

E água vem do ribeirão

...

CIDADE MARAVILHOSA

(André Filho, 1934)

Cidade maravilhosa

Cheia de encantos mil

Cidade maravilhosa

Coração do meu Brasil

...

MAMÃE EU QUERO

(Jararaca-Vicente Paiva, 1936)

Mamãe eu quero, mamãe eu quero

Mamãe eu quero mamar

Dá a chupeta, dá a chupeta

Dá a chupeta pro bebe não chorar

...

MARCHA DO REMADOR

(Antônio Almeida - 1969)

Se a canoa não virar olê olê olá

Eu chego lá

...

ME DÁ UM DINHEIRO AÍ

(Ivan Ferreira-Homero Ferreira-Glauco Ferreira, 1959)

Ei, você aí!

Me dá um dinheiro aí!

Me dá um dinheiro aí!

...

SACA-ROLHA

(Zé da Zilda-Zilda do Zé-Waldir Machado, 1953)

As águas vão rolar

Garrafa cheia eu não quero ver sobrar

Eu passo mão na saca saca saca rolha

E bebo até me afogar

Deixa as águas rolar

...

TA-HÍ!

(Joubert de Carvalho, 1930)

Taí eu fiz tudo pra você gostar de mim

Ai meu bem não faz assim comigo não

Você tem você tem que me dar seu coração

...

Vou colocar na íntegra uma que gosto muito, não sei bem o motivo, mas que faz referência a três grandes personagens do carnaval antigo: a colombina, o pierrô e o arlequim.

MÁSCARA NEGRA

(Zé Keti-Pereira Mattos, 1966)

Quanto riso oh quanta alegria

Mais de mil palhaços no salão

Arlequim está chorando

Pelo amor da colombina

No meio da multidão

Foi bom te ver outra vez

Está fazendo um ano

Foi no carnaval que passou

Eu sou aquele pierrô

Que te abraçou e te beijou meu amor

Na mesma máscara negra

Que esconde o teu rosto

Eu quero matar a saudade

Vou beijar-te agora

Não me leve a mal

Hoje é carnaval




Pensando nos carnavais atuais, o que me lembra carnaval é samba e frevo. O primeiro, muito ligado ao Rio de Janeiro, onde tem escolas de samba consagradas com sambas-enredo que fizeram história e são lembradas até hoje:

Samba Enredo 1989 - Liberdade, Liberdade! Abra as asas sobre nós

Imperatriz Leopoldinense

Liberdade!, Liberdade!

Abre as asas sobre nós

E que a voz da igualdade

Seja sempre a nossa voz

Samba Enredo 1993 - Explode coração

Salgueiro (RJ)

Explode coração

Na maior felicidade

É lindo o meu Salgueiro

Contagiando, sacudindo essa cidade

Já o frevo, representa Recife e Olinda, mantendo suas raízes. Acho que não existe música melhor para representar o frevo que Vassourinhas, é pura animação!



E para finalizar, uma marchinha que fala de carnaval chamada: Noite dos Mascarados de Chico Buarque. É um diálogo de um homem e uma mulher dizendo que os mascarados procuram no baile seus namorados (ou enamorados - paqueras) para cair em seus braços (quero saber o seu jogo... quero morrer no seu bloco... quero me arder no seu fogo).

Em uma parte do diálogo eles se mostram antagônicos em suas características e gostos (Eu tenho um pandeiro. Só quero um violão! Eu nado em dinheiro. Não tenho um tostão), mas é carnaval, eles devem aproveitar (Deixa a festa acabar, deixa o barco correr, Deixa o dia raiar) já que no dia seguinte tudo volta ao normal. E finaliza com uma frase que, se for verdade para a época que a música foi criada, não fica pra traz de nenhum carnaval atual :P (Deixa o dia raiar que hoje eu sou da maneira que você me quer, o que você pedir eu lhe dou, seja você quem for, seja o que Deus quiser!)

Noite dos Mascarados

Chico Buarque

- Quem é você?

- Adivinha se gosta de mim!

Hoje os dois mascarados

Procuram os seus namorados

Perguntando assim:

- Quem é você, diga logo...

- Que eu quero saber o seu jogo...

- Que eu quero morrer no seu bloco...

- Que eu quero me arder no seu fogo.

- Eu sou seresteiro, poeta e cantor.

- O meu tempo inteiro, só zombo do amor.

- Eu tenho um pandeiro.

- Só quero um violão!

- Eu nado em dinheiro.

- Não tenho um tostão... Fui porta-estandarte, não sei mais dançar...

- Eu, modéstia à parte, nasci prá sambar.

- Eu sou tão menina...

- Meu tempo passou...

- Eu sou Colombina!

- Eu sou Pierrô!

Mas é Carnaval! Não me diga mais quem é você!

Amanhã tudo volta ao normal.

Deixa a festa acabar, deixa o barco correr,

Deixa o dia raiar que hoje eu sou

Da maneira que você me quer.

O que você pedir eu lhe dou,

Seja você quem for, seja o que Deus quiser!

Seja você quem for, seja o que Deus quiser!



Bjos