segunda-feira, 22 de abril de 2013

Sei


Olá Pessoal,

Demorei um pouquinho mas resolvi fazer o segundo post com as músicas de Lado a Lado. O primeiro post foi com as músicas antigas e o segundo é com as novas que achei mais marcantes na novela.

A primeira dessas novas músicas é Inferno da Nação Zumbi. Apesar da letra ser pequena, mas a melodia e o arranjo se encaixaram perfeitamente nas cenas em que os personagens sofriam algum preconceito, principalmente os negros. Nação Zumbi sempre trabalhando muito bem seu instrumental.

Inferno


Nação Zumbi

O inferno nem é tão longe
(Eu sei)
Bem depois de onde nada se esconde
Mais perto do que distante
Não demora muito e ele chega pra qualquer um
(Eu sei)

No coração das trevas estou
E já não tenho mais direção
Num labirinto sem cheiro e sem cor
E o braseiro acendendo o chão

No coração das trevas estou
E já não tenho mais direção
Num labirinto sem cheiro e sem cor
E o braseiro acendendo o chão

REPETE

O paraíso nunca vem de graça
E quando chega, nem demora tanto




A segunda é De Onde Vem A Calma de Los Hermanos. A primeira vez que escutei já achei uma gracinha, bem leve, meio baladinha.  Quando ou vi esse trecho " De onde vem o jeito tão sem defeito, Que esse rapaz consegue fingir? Olha esse sorriso tão indeciso. Tá se exibindo pra solidão." Achei a cara do personagem que representava que era o Albertinho, filho de baronesa, playboy que sempre tentava ser dar bem, mesmo que mentindo.

De Onde Vem A Calma

Los Hermanos

De onde vem a calma daquele cara?
Ele não sabe ser melhor, viu?
Como não entende de ser valente
Ele não sabe ser mais viril
Ele não sabe não, viu?
E as vezes dá como um frio
É o mundo que anda hostil
O mundo todo hostil

De onde vem o jeito tão sem defeito
Que esse rapaz consegue fingir?
Olha esse sorriso tão indeciso
Tá se exibindo pra solidão
Não vão embora daqui
Eu sou o que vocês são
Não solta da minha mão
Não solta da minha mão

Eu não vou mudar não
Eu vou ficar são
Mesmo se for só
Não vou ceder
Deus vai dar aval sim
O mal vai ter fim
E no final, assim calado
Eu sei que vou ser coroado rei de mim.




A última foi a que mais gostei. Pra variar, Nando Reis, que sempre surge com algo legal. A música embalava o casal Edgar e Laura que eu adorava :) Eu adorava quando começava a tocar a música, encaixava perfeitamente nas cenas e nos sentimentos que eles estavam passando.

Sei


Nando Reis

Sabe,
Quando a gente tem vontade de encontrar
A novidade de uma pessoa
Quando o tempo passa rápido
Quando você está ao lado dessa pessoa
Quando dá vontade de ficar nos braços dela
E nunca mais sair…

Sabe,
Quando a felicidade invade
Quando pensa na imagem da pessoa
Quando lembra que seus lábios encontraram
Outros lábios de uma pessoa
E o beijo esperado ainda está molhado
E guardado ali em sua boca
Que se abre e sorri feliz
Quando fala o nome daquela pessoa
Quando quer beijar de novo muitos lábios
Desejados da sua pessoa
Quando quer que acabe logo a viagem
Que levou ela pra longe daqui…

Sabe,
Quando passa a nuvem brasa
Ar de coco, sopro do ar que traz essa pessoa
Quando quer ali deitar, se alimentar
E entregar seu corpo pra pessoa
Quando pensa porque não disse a verdade
É que eu queria que ela estivesse aqui…

Sabe,
Quando a felicidade invade
Quando pensa na imagem da pessoa
Quando lembra que seus lábios encontraram
Outros lábios de uma pessoa
E o beijo esperado ainda está molhado
E guardado ali em sua boca
Que se abre e sorri feliz
Quando fala o nome daquela pessoa
Quando quer beijar de novo muito, muito, muito, muito, muito, muito, muito os lábios da sua pessoa
Quando pensa porque não disse a verdade
É que eu queria que ela estivesse aqui…

Sei…
Eu sei.


Então, essas foram as novas músicas que achei mais legais em Lado a Lado. Bom relembrar essas músicas.

Bjos


quinta-feira, 7 de março de 2013

Me Deixe em Paz


Olá Pessoal,

A novela Lado a Lado está terminando e resolvi parar para dar uma olhada em sua trilha sonora. Já tinha percebido que é uma trilha repleta de músicas maravilhosas, tanto novas quanto antigas. Resolvi então fazer dois posts, um com algumas músicas antigas e um com as músicas novas que eu gostei. Lembrando que não serão todas, só as que, para mim, são mais marcantes.

Começo então com as antigas, lindas, tocantes, realmente uma mais bonita que a outra, com interpretações comoventes. Começo pelas antigas justamente por achar elas melhores que as novas :)

A primeira música é A voz do Morro de Zé Keti, compositor pouco conhecido das massas atuais, mas que fez sucesso na época da ditadura, principalmente por participar do espetáculo Opinião junto com João do Vale e Nara Leão. Essa música é como se o samba falasse, dissesse quem é e a que veio. A versão da novela é interpretada pelo meu xodó da nova geração do samba, Diogo Nogueira. Ele está sempre com um sorrisão no rosto,  tem um jeito de cantar meio malandro (como deve ser um bom samba) e tem uma linda voz.

A voz do Morro
Zé Keti

Eu sou o samba
A voz do morro sou eu mesmo sim senhor
Quero mostrar ao mundo que tenho valor
Eu sou o rei do terreiro
Eu sou o samba

Sou natural daqui do Rio de Janeiro
Sou eu quem levo a alegria
Para milhões de corações brasileiros

Salve o samba, queremos samba
Quem está pedindo é a voz do povo de um país
Salve o samba, queremos samba
Essa melodia de um Brasil feliz





A segunda música é  A Flor e o Espinho de Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha. Música que fala de um fim de relacionamento onde um percebe que o amor acabou e que o outro está tão bem e feliz que isso não lhe causa sofrimento (não machuca). O que está triste com isso (com sua dor) percebe que, na verdade, eles nunca teriam dado certo, são opostos (sol e lua). Conheci essa música cantada por Zizi Possi, linda, sempre adorei tanto a música, quanto a letra. Na versão da novela ela é cantada pelo grupo Sururu na Roda, formado em 2000, cuja integrante que me chamou mais atenção é Nilze Carvalho, que gravou um LP (bem novinho) ainda menina e que papai tinha e eu conheci :) Ela toca muito.

A Flor e o Espinho
Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha

Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu so errei quando juntei minh'alma a sua
O sol não pode viver perto da lua

Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu so errei quando juntei minh'alma a sua
O sol não pode viver perto da lua

É no espelho que eu vejo a minha magoa
A minha dor e os meus olhos rasos d'agua
Eu na sua vida já fui uma flor
Hoje sou espinho em seu amor
Eu so errei quando juntei minh'alma a sua
O sol não pode viver perto da lua
Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Que eu quero passar com a minha dor





A terceira música é  O Mundo é um Moinho de Cartola. Acho essa música linda, tanto a melodia quanto a letra. Ela fala de uma pessoa jovem que resolve viver sua vida, partir sem rumo e recebe os conselhos de que a vida mói, destrói, tritura, é bem mais cruel do que ela espera, assim como o amor. Ela deve se preparar para isso. Na novela está sendo interpretada por beth Carvalho o que deu uma beleza a mais a música.

O Mundo é um Moinho
Cartola

Ainda é cedo, amor
Mal começaste a conhecer a vida
Já anuncias a hora de partida
Sem saber mesmo o rumo que irás tomar
Preste atenção, querida
Embora eu saiba que estás resolvida
Em cada esquina cai um pouco a tua vida
Em pouco tempo não serás mais o que és
Ouça-me bem, amor
Preste atenção, o mundo é um moinho
Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho
Vai reduzir as ilusões a pó
Preste atenção, querida
De cada amor tu herdarás só o cinismo
Quando notares estás à beira do abismo
Abismo que cavaste com os teus pés




E por último, por ser a que eu acho mais bonita, mais tocante, é Me deixa em Paz de Monsueto e Aírton Amorim. É uma música triste, que fala de uma pessoa que se apaixonou por outra, que a conquistou, mas que não tinha esse mesmo sentimento por ela, brincou com os sentimentos e "arruinou a vida" da pessoa apaixonada. Essa música é um samba, na net dá pra achar várias versões bem dançantes, mas eu particularmente adorei essa versão de Alaíde Costa e Milton Nascimento, lenta, com uma batida que parece um coração e ao mesmo tempo um tambor africano (já que é a música do casal principal da novela, negros que lutam pelo fim do preconceito pós abolição) o que é ajudado com os floreios de Milton Nascimento. Alaíde Costa canta com um timbre que parece que está perto de chorar.

Me Deixe em Paz
Monsueto e Aírton Amorim

Se você não me queria
Não devia me procurar
Não devia me iludir
Nem deixar eu me apaixonar

Se você não me queria
Não devia me procurar
Não devia me iludir
Nem deixar eu me apaixonar

Evitar a dor
É impossível
Evitar esse amor
É muito mais
Você arruinou a minha vida
Me deixa em paz




Beijo a todos

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Valsa das Flores


Olá Pessoal,

Com o Natal chegando resolvi escrever algo que tivesse relação com ele. Para não falar das músicas de sempre de Natal escolhi falar hoje de um balé: O Quebra Nozes. Escolho esse balé por ser uma típica história de Natal.

Ela foi homenageada recentemente pelo google com um doodle no dia que completou seus 120 anos.

Escrito em São Petersburgo e apresentado a 18 de Dezembro de 1892, o balé em dois atos, com coreografia original de Marius Petipa, contém algumas das músicas mais conhecidas de Tchaikowsky.

É baseado no conto infantil Quebra Nozes e o Camundongo Rei (1816) de Ernst Theodor Amadeus Wilhelm Hoffmann. Tudo começa em uma festa de Natal na casa da família Stahlbaum. Eles têm dois filhos: Clara e Fritz que estão na sala brincando com as outras crianças, filhos dos convidados. Entre os convidados está o padrinho de Clara, Drosselmeyer, que traz consigo diversos presentes.

Um dos presentes dados por ele a Clara é um boneco Quebra-Nozes em forma de soldadinho. Quando a festa termina este brinquedo é deixado embaixo da árvore de Natal.

Clara não consegue dormir e volta para a sala com o objetivo de ver seu boneco quebra-nozes. Quando se aproxima surge um grupo de ratos grandes que travam uma batalha com os soldadinhos de chumbo de Fritz liderados pelo Quebra-Nozes.

O Quebra-Nozes vence, se transforma em um príncipe e a leva a uma grande viagem encantada. Eles passam por uma floresta encantada, com flocos de neve, e vão ao País dos Doces.

Lá, a Fada Açucarada os espera e prepara uma grande festa onde os doces se apresentam dançando. Logo depois tem a Valsa das Flores. O príncipe dança com a Clara (que em algumas versões a Fada dança com um pagem) e Clara vai embora desse reino, caindo no sono e acordando embaixo da sua árvore de Natal, mostrando que tudo foi um sonho.

Como disse antes, muitas músicas desse balé são famosas, algumas delas são:

A música do café da arábia:



A música do Chá chinês:



A música da fada açucarada:



A valsa das flores, que é muuuito conhecida (acho que a mais conhecida deste balé):



No próximo vídeo tem uma sequência de músicas para as apresentações principais dos solistas do quebra nozes. Estou colocando aqui uma versão com Mikhail Baryshnikov. A primeira música é a da fada açucarada, também muito conhecida. Mas uma música que adoro nesse balé e não é uma das mais conhecidas, porém é liiinda, é a do gran pas de deux (3:42 no vídeo):




E para fechar, uma coreografia diferente com essa mesma música, belíssima, mal respirei até terminar a apresentação, vale muito a pena ver!!!




Bom Natal para todos!!!

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Se Eu Quiser Falar com Deus

Olá Pessoal,

O blog estava um pouquinho parado pois eu não estava com muito tempo nem muita inspiração para trabalhar em cima de uma música aqui :)

Hoje resolvi falar de uma música que acho linda. Música de Gilberto Gil sobre a visão dele sobre a fé em Deus, onde Deus pode ter vários nomes.

Uma música que representa a fé de muitas pessoas, sem muitas regras, sem amarras religiosas, sem vozes dos outros para escutar, sem promessas de  lugares ou coisas a se desejar, sem ameaças a se recear, sem ganância na alma e no corpo, enfrentando as dores, sendo humilde, encarando os problemas e vendo felicidade além disso, largando o passado, encarando a vida que tem pela frente mesmo sabendo que no final das contas você não vai chegar onde esperava, não vai encontrar o que queria, pois o objetivo dessa vida é justamente o percurso, e que, para falar com Deus você só precisa de você, ser você, plenamente.

Algumas pessoas acham que é uma crítica a religiões. Pode até ser, pois ficar a sós, calar a voz, folgar os nós dos desejos e receios, seria uma forma de não ter regras, não seguir o que alguém diz, não ter medos de punições. Mas não vejo como uma crítica a fé. Ele acredita que, desfazendo as amarras e sendo só você, nu, humilde, individual, é possível atingir sua espiritualidade. Uma vez me foi perguntado no crisma se eu já tinha tido dúvidas sobre minha fé e eu respondi: Sobre a igreja sim, sobre Deus, não.

Acho que existe essa diferenciação que pode e deve ser feita. Se essa diferenciação fosse feita, existiria menos intolerância religiosa. Não quero dizer que não tenho, ou que não devemos ter religião, só quero dizer que Deus (ou o ser superior de cada um) está acima disso tudo.


SE EU QUISER FALAR COM DEUS
Gilberto Gil

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar

E aqui a versão com o próprio Gil, na época que foi lançada (1980)


Linda, não?

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Depois


Olá Pessoal,

Uma intérprete que adoro é Marisa Monte. Para mim, ela está entre as melhores do Brasil. Falo dela mais como intérprete porque amo escutá-la cantando música dos outros, ou dela, ou de parcerias, tanto faz. Mas ela tem composições muito boas também. Já falei disso em um post passado sobre composições que ela não gravou: Palavras ao Vento

Hoje vim falar de dois trabalhos dela, os dois mais recentes que estão sendo divulgados em duas novelas da globo. O primeiro é Ainda Bem, composto por ela e Arnaldo Antunes, que está na novela Amor Eterno Amor, e fala do encontro de um amor após quase desistir, após achar que isso não iria mais acontecer. É o desabrochamento da felicidade :)

Ainda Bem
Marisa Monte e Arnaldo Antunes

Ainda bem
Que agora encontrei você
Eu realmente não sei
O que eu fiz pra merecer
Você
Porque ninguém
Dava nada por mim
Quem dava, eu não tava a fim
Até desacreditei
De mim
O meu coração
Já estava acostumado
Com a solidão
Quem diria que a meu lado
Você iria ficar
Você veio pra ficar
Você que me faz feliz
Você que me faz cantar
Assim
O meu coração
Já estava aposentado
Sem nenhuma ilusão
Tinha sido maltratado
Tudo se transformou
Agora você chegou
Você que me faz feliz
Você que me faz cantar
Assim

O clipe dessa música é uma maravilha a parte, ele tem a grande participação de Anderson Silva, dançando com ela. Muito bom, dá vontade de dançar com eles.




A segunda música é Depois, composição do trio de sucesso, Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, igualmente linda, mas que fala do oposto, do final de um amor, ou do final de uma relação que teve tanto amor envolvido. Talvez, pelo tema ser mais triste, a música seja mais linda :P A música está na novela Avenida Brasil.

Depois
Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown

Depois de sonhar tantos anos,
De fazer tantos planos
De um futuro pra nós
Depois de tantos desenganos,
Nós nos abandonamos como tantos casais
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também
Depois de varar madrugada
Esperando por nada
De arrastar-me no chão
Em vão
Tu viraste-me as costas
Não me deu as respostas
Que eu preciso escutar
Quero que você seja melhor
Hei de ser melhor também
Nós dois
Já tivemos momentos
Mas passou nosso tempo
Não podemos negar
Foi bom
Nós fizemos histórias
Pra ficar na memória
E nos acompanhar
Quero que você viva sem mim
Eu vou conseguir também
Depois de aceitarmos os fatos
Vou trocar seus retratos pelos de um outro alguém
Meu bem
Vamos ter liberdade
Para amar à vontade
Sem trair mais ninguém
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também
Depois




Dá pra notar que para ela era um amor “pra sempre”, sonhou, planejou futuro. Ela sofreu (varou madrugada, arrastou no chão), e provavelmente ele acabou, ou pelo menos ele se afastou da relação (Virou as costas e não deu as respostas que ela esperava) e será que teve traição? (“Vamos ter liberdade para amar à vontade sem trair mais ninguém”).

E ainda vem na minha cabeça que ela só há de ser feliz depois que ele conseguir ser (Quero que você seja feliz, Hei de ser feliz também, Depois) O depois parece estar terminando cada refrão, mas ele acaba começando cada estrofe, até que no último refrão ele aparece no final.

Bem, lindas músicas, com interpretações mais lindas ainda :) E como minha amiga Dany Inô disse, parece música de Roberto Carlos de quando ele fazia música boa.

Bjos

terça-feira, 10 de abril de 2012

Oração de São Francisco de Assis


Olá pessoal,

Não publico a algum tempo aqui e, com a páscoa que passou, senti vontade de falar de um texto que mostrasse amor, paz e compaixão.

Acho que um texto que mostra muito isso é a Oração de São Francisco de Assis. Olhem a letra, independente de sua crença, o que ela prega é o amor, a bondade a ajuda.

Oração de São Francisco de Assis

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.


Muitas partes dela são um pedido para ser uma pessoa melhor, levar o amor onde tem ódio, levar perdão onde tem ofensa, levar união na discórdia, esperança no desespero, alegria na tristeza. Vejam que pulei algumas partes, não que eu não concorde, mas porque essas que eu disse agora, são algo maior que qualquer religião ou a falta dela. Acho que essas deveriam ser seguidas por todos, de ateus a cristãos. É a lei da vida e da convivência.

E a oração finaliza mostrando como podemos e como deveríamos agir. Consolar mais que ser consolado, tentar compreender mais do querer ser compreendido e amar, acima de tudo, independente da reciprocidade. Porque é fazendo algo pelo outro que recebemos os frutos das nossas atitudes (é dando que se recebe).

Dentre tantas músicas religiosas, tantas novidades, essa ainda é a que mais me comove, a que a letra mais me toca, que vem pra dizer verdades simples porém as mais importantes que um ser deveria saber para conviver em sociedade.

Aqui o vídeo com Fagner cantando essa oração:





E, para terminar esse post, acho que nada melhor que o começo dessa música:

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.

Se você não acredita em Deus, mesmo assim, seja instrumento de paz nessa sociedade.

Bjos

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Canteiros

Olá pessoal,

Há um tempo falei de uma poesia que Fagner tinha musicado Fanatismo. Nesse momento eu disse que futuramente iria falar de outra poesia que ele não musicou, ele pegou um trecho e adaptou, que era a da música Canteiros.

Pois é, estamos hoje aqui para falar dessa música. Primeiro, é importante entender que, a música não é a poesia, na verdade, a primeira estrofe da música é uma adaptação da penúltima estrofe do poema Marcha, de Cecília Meireles. Vejam as estrofes:

Cecília:
Quando penso no teu rosto,
fecho os olhos de saudade;
tenho visto muita coisa,
menos a felicidade.
Soltam-se os meus dedos ristes,
dos sonhos claros que invento.
Nem aquilo que imagino
já me dá contentamento.

Fagner:
Quando penso em você
Fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa
Menos a felicidade
Correm os meus dedos longos
Em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego
Já me dá contentamento

O resto da música nada mais tem a ver com ela (Cecília Meireles).
A última estrofe da música é parte de uma música de Belchior (também compositor Cearense, assim como Fagner), Na hora do almoço:

E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza ...
E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Pois se não chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida

E, às vezes, ele ainda finaliza com Águas de Março, de Tom Jobim:

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
São as águas de março fechando o verão
É promessa de vida em nosso coração.

Bem, a história que vi sobre essa música foi: em 1973, Fagner gravou a música Canteiros, até então creditada como sendo de sua autoria. Com poucas unidades vendidas, o disco não teve nenhum sucesso e foi tirado das prateleiras pouco tempo depois de lançado. Anos depois, quando Fagner estourou com outras músicas, os radialistas reviraram suas músicas passadas e reencontraram Canteiros. Mas antes da música estourar nacionalmente, ele já tinha dividido a parceria da letra com Cecília Meireles e inclusive divulgando-a em release de show, em 1977. Em 1979, Fagner admitiu, ao ser interrogado, que ''sem tirar a beleza dos versos, procurou fazer uma adaptação à música'', reconhecendo o uso indevido do poema Marcha, de Cecília Meireles, na composição de Canteiros. Em 1981, as herdeiras de Cecília Meireles conseguiram condenar várias gravadoras e o cantor a pagar uma multa de Cr$ 101 mil cruzeiros por violação de direitos autorais. Uma das gravadoras não quis fazer acordo e o processo ficou rolando até meados de 2000.


Ou seja, essa música é uma colcha de retalhos de grandes talentos nacionais, e tem sim uma parte escrita por Fagner, para que não desmereçam o mesmo. Fagner é um excelente artista e que não é o único que pega parte de música de outras pessoas quando acha que ela se encaixa perfeitamente na sua, como se fosse um complemento ou uma resposta àquele texto. Ele deveria sim ter dado o mérito da estrofe a Cecília Meireles e esse foi seu grande erro, já que depois ele assumiu e pagou sua parte. Muitas músicas usam partes de textos, mas, por citarem os escritores, acabam não tendo problemas judiciais e, como o povo não tem costume de ler no encarte de quem é a letra, nunca descobre que tem texto de outras pessoas ali. Esse incidente fez com que muita gente soubesse que é parte da poesia de Cecília Meireles, ou pior, acham que a poesia toda é dela. Isso não teria acontecido se tudo tivesse sido feito corretamente, muito provavelmente o povo não leria o encarte e acharia que a música era de Fagner e pronto, como sempre acontece.

E para finalizar, um apanhado das músicas e poesias citadas no texto.

Primeiro, Marcha, de Cecília Meireles:

Marcha
Cecília Meireles

As ordens da madrugada
romperam por sobre os montes:
nosso caminho se alarga
sem campos verdes nem fontes.
Apenas o sol redondo
e alguma esmola de vento
quebram as formas do sono
com a idéia do movimento.
Vamos a passo e de longe;
entre nós dois anda o mundo,
com alguns mortos pelo fundo.
As aves trazem mentiras
de países sem sofrimento.
Por mais que alargue as pupilas,
mais minha dúvida aumento.
Também não pretendo nada
senão ir andando à toa,
como um número que se arma
e em seguida se esboroa,
- e cair no mesmo poço
de inércia e de esquecimento,
onde o fim do tempo soma
pedras, águas, pensamento.
Gosto da minha palavra
pelo sabor que lhe deste:
mesmo quando é linda, amarga
como qualquer fruto agreste.
Mesmo assim amarga, é tudo
que tenho, entre o sol e o vento:
meu vestido, minha música,
meu sonho e meu alimento.
Quando penso no teu rosto,
fecho os olhos de saudade;
tenho visto muita coisa,
menos a felicidade.
Soltam-se os meus dedos ristes,
dos sonhos claros que invento.
Nem aquilo que imagino
já me dá contentameno.
Como tudo sempre acaba,
oxalá seja bem cedo!
A esperança que falava
tem lábios brancos de medo.
O horizonte corta a vida
isento de tudo, isento…
Não há lágrima nem grito:
apenas consentimento.

A música de Tom Jobim, Águas de Março, que muitas vezes finaliza Canteiros:

Águas de Março
Tom Jobim
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É pereba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumueira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é um tremendo desconto, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
pau, pedra, fim, caminho
resto, toco, pouco, sozinho
caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.



A música Hora do almoço de Belchior que é cantada na parte final de Canteiros:

Na Hora do Almoço
Belchior

No centro da sala,
diante da mesa,
no fundo do prato,
comida e tristeza.
A gente se olha,
se toca e se cala
E se desentende
no instante em que fala.
Cada um guarda mais o seu segredo,
sua mão fechada
sua boca aberta
seu peito deserto,
sua mão parada,
lacrada,
selada,
molhada de medo.
Pai na cabeceira: É hora do almoço.
Minha mãe me chama: É hora do almoço.
Minha irmã mais nova, negra cabeleira...
Minha avó me chama: É hora do almoço.
... E eu inda sou bem moço
pra tanta tristeza.
Deixemos de coisas,
cuidemos da vida,
senão chega a morte
ou coisa parecida,
e nos arrasta moço
sem ter visto a vida
ou coisa parecida aparecida



E, claro, Canteiros:

Canteiros
Fagner, Cecília Meireles e Belchior

Quando penso em você
Fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa
Menos a felicidade
Correm os meus dedos longos
Em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego
Já me dá contentamento
Pode ser até manhã
Sendo claro, feito o dia
Mas nada do que me dizem me faz sentir alegria
(Refrão 2X)
Eu só queria ter do mato
Um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza
E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza ...
E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Pois se não chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
São as águas de março fechando o verão
É promessa de vida em nosso coração.


Bjo a todos