quinta-feira, 30 de junho de 2011

Maracatu Atômico

Olá pessoal,

Outro post sobre a trilha da novela Cordel Encantado.

Hoje vou colocar duas músicas antigas interpretadas por dois pernambucanos.

A primeira é Maracatu Atômico de Jorge Mautner e Nelson Jacobina, imortalizada por Chico Science e sua Nação Zumbi. Estilo criado pelo Chico Science, o MangueBeat mistura muitos ritmos (incluindo o rock) com os ritmos pernambucanos, principalmente o maracatu, onde é possível sentir sua batucada nessa música. Fica uma música jovem, mas mantendo um ar regional, não perdendo sua raiz.

Colocaram a versão original do cd Afrociberdelia, já que não seria possível gravar uma nova versão com a participação de Chico Science. E sem ele não teria a mesma graça!! Ponto para a novela :)

Maracatu Atômico
Jorge Mautner/Nelson Jacobina

No bico do beija-flor, beija-flor, beija-flor
Toda fauna-flora agora grita de amor
Quem segura o porta-estandarte
Tem a arte, tem a arte
E aqui passa com raça eletrônico maracatu atômico
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê
Atrás do arranha-céu tem o céu tem o céu
E depois tem outro céu sem estrelas
Em cima do guarda-chuva, tem a chuva tem a chuva,
Que tem gotas tão lindas que até dá vontade de
comê-las
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
No meio da couve-flor tem a flor, tem a flor,
Que além de ser uma flor tem sabor
Dentro do porta-luva tem a luva, tem a luva
Que alguém de unhas tão negras e tão afiadas esqueceu
de pôr
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
No fundo do para-raio tem o raio, tem o raio,
Que caiu da nuvem negra do temporal
Todo quadro negro é todo negro é todo negro
Que eu escrevo seu nome nele só pra demonstrar o meu
apego
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
No bico do beija-flor, beija-flor, beija-flor,
Toda fauna flora agora grita de amor
Quem segura o porta-estandarte
Tem a arte, tem a arte
E aqui passa com raça eletrônico maracatu atômico
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê...



A segunda é Carcará de João do Vale e José Cândido, imortalizada por Maria Bethânia para a peça Opinião. Essa versão da novela vem com Otto. A interpretação de Maria Bethânia é única e imbatível, mas ficou bem interessante a versão de Otto, gostei :)

Carcará
João do Vale / José Cândido

Carcará
Lá no sertão
É um bicho que avoa que nem avião
É um pássaro malvado
Tem o bico volteado que nem gavião
Carcará
Quando vê roça queimada
Sai voando, cantando,
Carcará
Vai fazer sua caçada
Carcará come inté cobra queimada
Quando chega o tempo da invernada
O sertão não tem mais roça queimada
Carcará mesmo assim num passa fome
Os burrego que nasce na baixada
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará
Pega, mata e come
Carcará é malvado, é valentão
É a águia de lá do meu sertão
Os burrego novinho num pode andá
Ele puxa o umbigo inté matá
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará




Bjo a todos

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Minha Princesa

Olá pessoal,

Mais um post sobre a trilha da novela Cordel Encantado.

Adorei a abertura e a música caiu perfeitamente. O começo é o homem falando da sua princesa, bela e que gerou um amor profundo nele. Depois a mulher fala de seu cangaceiro, teu guerreiro, cujo braseiro lhe queimou (amor :P) E finaliza com os destinos entrelaçados dos dois.
Ou seja, é a sinopse da novela :) Muito legal. Pelo que achei na net a música é de Gilberto Gil, cantada por ele e Roberta Sá. Ele muito bom, como sempre, ela é boa, porém tenho minhas ressalvas, quando ela surgiu achei ela muito parecida com tudo que já existia, senti falta do novo, Não consigo achar ela maravilhosa, mas é gosto :P

A música está linda :)

Minha princesa
Gilberto Gil

Minha princesa
Quanta beleza coube a ti
Minha princesa
Quanta tristeza coube a mim
Na profundeza
O amor cavou
O amor furou
Fundo no chão
No coração do meu sertão
No meu torrão natal
Meu berço natural
Meu ponto cardeal
Meu açucar, meu sal

Oh, meu guerreiro
O teu braseiro me queimou
Oh, meu guerreiro
Meu travesseiro é teu amor
Meu cangaceiro
Que me pegou
Me carregou
Que me plantou no seu quintal
Me devolveu
Minha casa real
Minh'alma original
Meu vaso de cristal
E o meu ponto final
Nossos destinos
Desde meninos dão-se as mãos
Nossos destinos
De pequeninos eram irmãos
E os desatinos
Também tivemos que vivê-los
Bem juntinhos
E os caminhos
Nos trouxeram para este lugar
Aqui vamos ficar
Amar, viver, lutar
Até tudo acabar



A segunda música é Chão de Giz, de Zé Ramalho, famosa e maravilhosa :) É música tema de Petrus, irmão do rei, que foi colocado em uma máscara de ferro pela esposa para que fosse dado como morto, pois ela queria matar a princesa e, com isso, deixar o trono para sua filha. Ele é um personagem perturbado, que está tendo fleches de memória, reaprendendo a falar e se apaixonando por uma mulher casada, Florinda.

Zé Ramalho como sempre, o melhor intérprete dessa música.

Chão de Giz
Zé Ramalho

Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre
Um Chão de Giz
Há meros devaneios tolos
A me torturar
Fotografias recortadas
Em jornais de folhas
Amiúde!
Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes...
Disparo balas de canhão
É inútil, pois existe
Um grão-vizir
Há tantas violetas velhas
Sem um colibri
Queria usar quem sabe
Uma camisa de força
Ou de vênus
Mas não vou gozar de nós
Apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom...
Agora pego
Um caminhão na lona
Vou a nocaute outra vez
Prá sempre fui acorrentado
No seu calcanhar
Meus vinte anos de "boy"
That's over, baby!
Freud explica...
Não vou me sujar
Fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes
Já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo
É assunto popular...
No mais estou indo embora!
No mais estou indo embora!
No mais estou indo embora!
No mais!...




Bjos a todos

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Quando Assim

Olá pessoal,

Ainda no clima regional, hoje gostaria de falar sobre a trilha sonora de Cordel Encantado, a novela das 6 atual da globo.

Primeiro, estou gostando sim do sotaque do pessoal. É a primeira vez que não fazem um sotaque bem ridículo como em A Indomada ou Senhora do Destino. Alguns atores não conseguem esquecer o chiado, é verdade, como a atriz Heloisa Périssé, que nunca vi chiar tanto pra falar. Mas gosto muito de Marcos Caruso e me surpreendi com os jovens, que estão conseguindo se sair melhor com o sotaque que os mais velhos.

Sobre a trilha, é um agrado a parte, podemos escutar Lenine, Gilberto Gil, Luiz Gonzaga, Djavan, todos em uma mesma trilha. Só uma novela nordestina pra trazer tanta qualidade em um só CD e só uma novela nordestina pra reconhecer um pouquinho os artistas daqui. Senti falta de um local onde estivesse escrito a lista das músicas desse novo CD, acho coisas na net mas não batem com o que escutamos na novela.

Pois bem, é muita música boa, então vou falar das músicas em vários Posts.

Resolvi começar com uma música nova, que me chamou atenção por sua leveza, suavidade. O nome da música é Quando Assim de Núria Mallena. É a música tema de Maria Cesária e O rei Augusto. O rei é leso, só faz besteira, mas o tema é lindo.

A primeira frase já me chamou a atenção: “Quando eu era espera, nada era, nem chovia, nem fazia”, imagine uma pessoa que vive de esperar, esperar por algo melhor, por uma mudança na vida e nada acontecia, nem chovia nem fazia nada (sol, chuva, frio, calor). Uma pessoa que pouco tem e que só se sente inteira (completa) quando cria a ilusão em sua cabeça de ser algo diferente, melhor (estrela). E aí surge o amor :)

Quando Assim

Núria Mallena

Quando eu era espera,
Nada era, nem chovia, nem fazia;
Só senti que a calma, não acalma
Quando só há solidão.

Quando eu era estrela
Era inteira na mentira que eu dizia

Ser o que não era,
Convencia, dentro da minha ilusão.

Quando eu fui nada,
Faltou nada, tudo pronto pra escrever

Eu não sabia buscar,
Foi quando apareceu,
O que eu quis inventar,
Pra preencher o meu mundo particular,
No peito que era seu
No seu mundo não há
Mais nada que não eu,
Já sei dizer que o amor pode acordar.

Eu não sabia buscar,
Foi quando apareceu,
O que eu quis inventar,
Pra preencher o meu mundo particular,
No peito que era seu
No seu mundo não há
Mais nada que não eu,
Já sei dizer que o amor pode acordar.




Outra música muito bonita também é a de Maria Gadú, Bela Flor, música da protagonista, Açucena/Aurora, chamada pelo profeta da cidade (Miguesim) de flor. Como sempre, Maria Gadú com sua linda voz, encanta :)

BELA FLOR - MARIA GADÚ

A Flor que vem me lembra
A Flor que é quase igual
A Flor que muito pensa
A Flor que fecha o Sol
Parece a mesma flor
Só muda o coração
Quando se unem são
A Flor que inspirou a canção

Bela Flor, pouco disse
Gêmea Flor, que cresceu no Rio
Bela Flor, pouco disse
Gêmea Flor, que cresceu no Rio

Que dance a linda flor girando por aí
Sonhando com amor sem dor, amor de flor
Querendo a flor que é, no sonho a flor que vem
Ser duplamente flor, encanta colore e faz bem

Bela Flor, pouco disse
Gêmea Flor, que cresceu no Rio
Bela Flor, pouco disse
Gêmea Flor, que cresceu no Rio

Oh flor, se tu canta essa canção
Todo o meu medo se vai pro vão
Pra longe, longe que eu não quero ir
Mas deixe seu rastro pólen, flor pra eu poder seguir

Bela Flor, pouco disse
Gêmea Flor, que cresceu no Rio
Bela Flor, pouco disse
Gêmea Flor, que cresceu no Rio




Essa novela promete e a trilha também :)

Bjos

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Olha pro céu meu amor

Olá pessoal,

O dia da nossa maior festa regional chegou e, por mais que eu escute e goste de várias músicas, o forró é o grande astro nesse momento.

Por esse motivo esse post é sobre ele :)

Acredito que a música mais marcante do São João de Campina Grande é Olha Pro Céu de Luiz Gonzaga e José Fernandes, já que é a que abre o nosso São João junto com os fogos.

Essa é uma cultura que temos aqui e é única. Nasci e morei em Niterói (RJ) até os 8 anos de idade e me lembro o que é são João para eles, é muito diferente. Para começar não é festa junina é festa julina (julho), esse feriado do dia 23 (véspera de São joão) até 29 (são pedro) é coisa nossa (vou falar sempre assim, já me incluo na cultura daqui :)). Lá a festa julina é uma quermesse, com barraquinhas para acertar argolas e pescar peixes de plástico com vara.


Já pensou quem vem pra cá e entra nesse parque do povo o que vê? Loucura.


Roupa? A mais esculhambada e pobre possível, bem matuta e remendada.



Tá certo, a idéia é essa, mas aqui, existe o quadriculado, o remendado, mas na verdade as roupas são riquíssimas (e caras), grandes vestidos, armados, cheios de mangas fofas, com babados e laços.

Música? Toca forró, sim, mas lembro que, quando criança, a representatividade de são João era: “cai cai balão” ou “capelinha de melão ... é de São João”. Pois é, aqui nem se imagina músicas de ciranda de criança em uma festa de São João.

O que sei é que nossa festa, não é uma festa matuta, com prendas e músicas bobas. Na verdade, é uma festa a altura de qualquer grande festa, onde as pessoas se arrumam pra ir (casacos, por favor, aqui faz um friozinho no inverno já que é alto de serra e a festa é ao ar livre), com bares e restaurantes por todo o local do evento com as comidas típicas maravilhosas e as bebidas normais, consumidas por todos, e as da região (canas fortes e boas, que não é pra qualquer caba não), além de shows de grandes nomes nacionais (bons e ruins :P) finalizando com as ilhas de forró, espalhadas por todo o evento para que ninguém precise se deslocar até perto do palco para dançar.

Tinha que colocar com Luiz Gonzaga, voz única:

Olha Pro Céu

Olha pro céu, meu amor
Vê como ele está lindo
Olha pra aquele balão multicor
Como no céu vai sumindo

Foi numa noite igual a esta
Que tu me deste o coração
O céu estava assim em festa
Porque
era noite de São João

Havia balões no ar
Xote, baião no salão
E no terreiro, o teu olhar
Que incendiou
Meu coração





Resolvi colocar aqui também uma música que adoro, e que nem sei se é conhecida fora do nordeste (Santana é conhecido por lá? Se não é, deveria), mas que representa a inocência da cultura nordestina ao representar o amor:

Se Tu Quiser
Xico Bezerra

Se tu quiser
eu invento um vento pra ventar o amor
uma chuva bem chovida pra chover pé de fulô
pra tu ficar cheirosa e vir dançar mais eu
se tu quiser
poemo um poema bem cheio de rima
acendo a estrela mais bonita lá de cima
faço tudo que puder pra tu ficar mais eu
se tu quiser
eu crio um sentimento pra gente se amar
descubro um jeito novo de te abraçar
te beijo com um beijo que ninguém nunca beijou
se tu quiser
basta me dizer que eu irei correndo
é só me avisar que tu tá me querendo
e o mundo vai saber o que é um grande amor



Não é lindo?

Bjo a todos