sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Canteiros

Olá pessoal,

Há um tempo falei de uma poesia que Fagner tinha musicado Fanatismo. Nesse momento eu disse que futuramente iria falar de outra poesia que ele não musicou, ele pegou um trecho e adaptou, que era a da música Canteiros.

Pois é, estamos hoje aqui para falar dessa música. Primeiro, é importante entender que, a música não é a poesia, na verdade, a primeira estrofe da música é uma adaptação da penúltima estrofe do poema Marcha, de Cecília Meireles. Vejam as estrofes:

Cecília:
Quando penso no teu rosto,
fecho os olhos de saudade;
tenho visto muita coisa,
menos a felicidade.
Soltam-se os meus dedos ristes,
dos sonhos claros que invento.
Nem aquilo que imagino
já me dá contentamento.

Fagner:
Quando penso em você
Fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa
Menos a felicidade
Correm os meus dedos longos
Em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego
Já me dá contentamento

O resto da música nada mais tem a ver com ela (Cecília Meireles).
A última estrofe da música é parte de uma música de Belchior (também compositor Cearense, assim como Fagner), Na hora do almoço:

E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza ...
E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Pois se não chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida

E, às vezes, ele ainda finaliza com Águas de Março, de Tom Jobim:

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
São as águas de março fechando o verão
É promessa de vida em nosso coração.

Bem, a história que vi sobre essa música foi: em 1973, Fagner gravou a música Canteiros, até então creditada como sendo de sua autoria. Com poucas unidades vendidas, o disco não teve nenhum sucesso e foi tirado das prateleiras pouco tempo depois de lançado. Anos depois, quando Fagner estourou com outras músicas, os radialistas reviraram suas músicas passadas e reencontraram Canteiros. Mas antes da música estourar nacionalmente, ele já tinha dividido a parceria da letra com Cecília Meireles e inclusive divulgando-a em release de show, em 1977. Em 1979, Fagner admitiu, ao ser interrogado, que ''sem tirar a beleza dos versos, procurou fazer uma adaptação à música'', reconhecendo o uso indevido do poema Marcha, de Cecília Meireles, na composição de Canteiros. Em 1981, as herdeiras de Cecília Meireles conseguiram condenar várias gravadoras e o cantor a pagar uma multa de Cr$ 101 mil cruzeiros por violação de direitos autorais. Uma das gravadoras não quis fazer acordo e o processo ficou rolando até meados de 2000.


Ou seja, essa música é uma colcha de retalhos de grandes talentos nacionais, e tem sim uma parte escrita por Fagner, para que não desmereçam o mesmo. Fagner é um excelente artista e que não é o único que pega parte de música de outras pessoas quando acha que ela se encaixa perfeitamente na sua, como se fosse um complemento ou uma resposta àquele texto. Ele deveria sim ter dado o mérito da estrofe a Cecília Meireles e esse foi seu grande erro, já que depois ele assumiu e pagou sua parte. Muitas músicas usam partes de textos, mas, por citarem os escritores, acabam não tendo problemas judiciais e, como o povo não tem costume de ler no encarte de quem é a letra, nunca descobre que tem texto de outras pessoas ali. Esse incidente fez com que muita gente soubesse que é parte da poesia de Cecília Meireles, ou pior, acham que a poesia toda é dela. Isso não teria acontecido se tudo tivesse sido feito corretamente, muito provavelmente o povo não leria o encarte e acharia que a música era de Fagner e pronto, como sempre acontece.

E para finalizar, um apanhado das músicas e poesias citadas no texto.

Primeiro, Marcha, de Cecília Meireles:

Marcha
Cecília Meireles

As ordens da madrugada
romperam por sobre os montes:
nosso caminho se alarga
sem campos verdes nem fontes.
Apenas o sol redondo
e alguma esmola de vento
quebram as formas do sono
com a idéia do movimento.
Vamos a passo e de longe;
entre nós dois anda o mundo,
com alguns mortos pelo fundo.
As aves trazem mentiras
de países sem sofrimento.
Por mais que alargue as pupilas,
mais minha dúvida aumento.
Também não pretendo nada
senão ir andando à toa,
como um número que se arma
e em seguida se esboroa,
- e cair no mesmo poço
de inércia e de esquecimento,
onde o fim do tempo soma
pedras, águas, pensamento.
Gosto da minha palavra
pelo sabor que lhe deste:
mesmo quando é linda, amarga
como qualquer fruto agreste.
Mesmo assim amarga, é tudo
que tenho, entre o sol e o vento:
meu vestido, minha música,
meu sonho e meu alimento.
Quando penso no teu rosto,
fecho os olhos de saudade;
tenho visto muita coisa,
menos a felicidade.
Soltam-se os meus dedos ristes,
dos sonhos claros que invento.
Nem aquilo que imagino
já me dá contentameno.
Como tudo sempre acaba,
oxalá seja bem cedo!
A esperança que falava
tem lábios brancos de medo.
O horizonte corta a vida
isento de tudo, isento…
Não há lágrima nem grito:
apenas consentimento.

A música de Tom Jobim, Águas de Março, que muitas vezes finaliza Canteiros:

Águas de Março
Tom Jobim
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É pereba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumueira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é um tremendo desconto, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
pau, pedra, fim, caminho
resto, toco, pouco, sozinho
caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.



A música Hora do almoço de Belchior que é cantada na parte final de Canteiros:

Na Hora do Almoço
Belchior

No centro da sala,
diante da mesa,
no fundo do prato,
comida e tristeza.
A gente se olha,
se toca e se cala
E se desentende
no instante em que fala.
Cada um guarda mais o seu segredo,
sua mão fechada
sua boca aberta
seu peito deserto,
sua mão parada,
lacrada,
selada,
molhada de medo.
Pai na cabeceira: É hora do almoço.
Minha mãe me chama: É hora do almoço.
Minha irmã mais nova, negra cabeleira...
Minha avó me chama: É hora do almoço.
... E eu inda sou bem moço
pra tanta tristeza.
Deixemos de coisas,
cuidemos da vida,
senão chega a morte
ou coisa parecida,
e nos arrasta moço
sem ter visto a vida
ou coisa parecida aparecida



E, claro, Canteiros:

Canteiros
Fagner, Cecília Meireles e Belchior

Quando penso em você
Fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa
Menos a felicidade
Correm os meus dedos longos
Em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego
Já me dá contentamento
Pode ser até manhã
Sendo claro, feito o dia
Mas nada do que me dizem me faz sentir alegria
(Refrão 2X)
Eu só queria ter do mato
Um gosto de framboesa
Pra correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza
E eu ainda sou bem moço pra tanta tristeza ...
E deixemos de coisa, cuidemos da vida
Pois se não chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
São as águas de março fechando o verão
É promessa de vida em nosso coração.


Bjo a todos

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Clocks

Olá pessoal,

Minha irmã Bruna França de Pontes escreveu um texto sobre música e gostaria de compartilhar aqui:

“Acordar escutando Everything Not Lost, passar os intervalos de colégio com Don't Panic, esperar a carona no High Speed, passar as férias com Politik, abafar birras da irmã no Daylight, tentar Clocks, The Scientist e Speed Of Sound no piano, viajar com A Whisper na cabeça, emprestar um dvd do A Rush of Blood to the Head, chorar com a desgraçada da X&Y, descobrir que Twisted Logic é delirante, dormir ao lado de Warning Sign.









Não foi o 'Viva La Vida', 'Paradise' ou 'Every Teardrop is a Waterfall'. Não foi a beleza do Guy Berryman ou os olhos de Chris Martin. Esses são, na verdade, quesitos nulos na influência do meu gosto por Coldplay. Não direi que o último e penúltimo cd deles me agradou da maneira que eu esperava. Como também não direi que Coldplay agora é lixo pela popularidade ter tomado conta da essência dos antigos álbuns.




Até que ponto posso deixar para trás algo que me trouxe grandes influências nos meus 14 anos? Até que ponto a mídia pode deixar uma banda ser desvalorizada aos olhos de um fã? Até que ponto a influência dessa mídia atinge a banda e a mim? Até que ponto posso julgar mal uma banda por ela estar mais famosa e encontrá-la em trilhas de novelas e versões de forró seboso? Até que ponto? Até quando?

Tomei o exemplo de Coldplay como forma de generalizar a hipocrisia da sociedade quanto aos seus gostos musicais de acordo com a "evolução" do que é tomado como BOM e RUIM. CULTURAL e FÚTIL. ROCK e POP. Moda é achar Coldplay bandinha de fresco? Moda é gostar de Beatles? Moda é dizer que é um pseudo culto e que odeia 'o sistema'? Tenho medo de acabar entrando nessa onda de pseudos (se é que não já estou) e esquecer do que, de fato, está enraizado em mim.”

Para minha irmã, gostaria de dar minha humilde opinião sobre o assunto (de forma mais geral, dado que não sou uma grande fã é conhecedora de Coldplay).

Acho que você nunca vai deixar completamente para traz algo que te deu muita influência, você pode não gostar do que é feito de novo, mas aquela música antiga será sempre uma referência.

A mídia desvaloriza e valoriza a banda que ela quer, por motivos financeiros ou não, então o verdadeiro fã não deve levar muito isso em consideração. Já a banda deve ser mais influenciada por seus fãs que pela mídia, já que muitos deles são fieis.

Julgar mal uma banda porque ela está famosa é hipocrisia, pois se ela for boa, mais cedo ou mais tarde ela será famosa, então :P O fato de ter forró seboso gravado com música dela, pode ter certeza, é sem sua autorização, duvido que alguma banda americana liberou. Eles fazem isso e correm o risco de serem processados, mas são tão porcarias que ninguém nem dá valor para o que eles fazem para cobrar o uso da música.

Sei que o que você está querendo dizer aqui é que tem pseudo intelectuais que gostam de uma banda e, quando ela fica famosa e deixa de ser “alternativa”, essa pessoa deixa de gostar dela, como se gostar de algo estranho e desconhecido é ser mais culto do que gostar de coisas famosas. Essas pessoas, nada mais são, do que inseguras de seus verdadeiros gostos, querem ser diferentes, só. Se você gosta realmente de algo, não deixa de gostar porque muitas pessoas passam a gostar. Eles podem ter ficado mais comerciais, podem, mas eles não se tornaram algo completamente diferente, se se tornarem, aí sim, você pode dizer que não gosta da música nova, do CD novo, mas não da banda, já que tem coisas que você gosta dela.

E para finalizar minha contribuição: Você está na fase da utopia da faculdade, do pensamento idealizado, da possibilidade do mundo perfeito, você está rodeada de pessoas que também pensam assim. Para a maioria das pessoas isso passa, no mundo real (trabalho, casa, sustento, impostos) você e seus amigos se tornarão mais realistas e objetivos, trocando a utopia por algo mais prático e concreto. Nesse momento o pseudo culto sumirá (se tornará vergonhoso) e a ideia de que, no final, tudo é culpa do sistema soará como algo infantil e de tentativa de se esquivar de responsabilidades e atitudes. Nesse momento, não terá importância o que é ou não da moda e sim o que ficou enraizado (e porque não até dormente) dentro de ti :)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Palavras ao Vento

Olá pessoal,

Hoje, por acaso descobri mais uma música de Marisa Monte que não sabemos (pelo menos eu não sabia) que é dela.

Marisa Monte já é consagrada como uma ótima compositora e intérprete. O que acontece é que, como ela tem uma linda voz, e interpreta divinamente música de outras pessoas, se supõe que ela também vá dar sua belíssima interpretação a cada nova composição que fizer, né? Ou seja, não se espera encontrar músicas famosas dela, sem ser cantadas por ela (pelo menos eu não esperava). Acontece que fui descobrindo aos poucos três músicas muito conhecidas dela, que ela não gravou em CD, talvez até cante em um show ou outro, mas outras pessoas que gravaram as músicas. Isso prova que as músicas dela realmente são boas, não é só a voz dela que dá beleza (a voz é tão bonita que qualquer coisa que cante fica bom), suas músicas brilham independente de sua voz!!!

A primeira música que descobri, foi do nada, escutando uma música com Cássia Eller, fiquei curiosa pra saber quem tinha escrito aquela letra que achei tão legal. A música era E.C.T, composta por Marisa Monte e duas das pessoas que mais compõem com ela: Nando Reis e Carlinhos Brown. A letra fala de cartas enviadas pelos correios, de fios de cabelo a pedidos de casamento, dinheiro, retratos...

E.C.T.

Composição: Carlinhos Brown/Marisa Monte/Nando Reis

Tava com cara
Que carimba postais
Que por descuido
Abriu uma carta que voltou
Levou um susto
Que lhe abriu a boca
Esse recado veio pra mim
Não pro senhor...
Recebo o crack, colante
Dinheiro parco, embrulhado
Em papel carbono e barbante
Até cabelo cortado
Retrato de 3x4
Prá batizado distante
Mas isso aqui, meu senhor
É uma carta de amor...
Levo o mundo
E não vou lá...(3x)
Levo o mundo e não vou...
Mas esse cara
Tem a língua solta
A minha carta
Ele musicou
Tava em casa
A vitamina pronta
Ouvi no rádio
A minha carta
De amor..
Dizendo:
-Eu caso contente
Papel passado e presente
Desembrulhado o vestido
Eu volto logo, me espera
Não brigue nunca comigo
Eu quero ver nossos filhos
O professor me ensinou
Fazer uma carta de amor...
Leve o mundo
Que eu vou já...(3x)
Leve o mundo que eu vou...

Versão com Cássia Eller:



Depois fui para um show dela em João Pessoa e em um determinado momento ela disse: Vou cantar uma música de composição minha e de Nando Reis, mas acredito que poucas pessoas saibam que é minha. E começou a cantar. De fato parei e fiquei boquiaberta em saber que Onde Você Mora? Era dela. Música muito conhecida por Cidade Negra.

Onde Você Mora?
Composição: Marisa Monte/Nando Reis

Amor igual ao seu
Eu nunca mais terei
Amor que eu nunca vi igual
E que eu nunca mais verei...
Amor que não se mede
Amor que não se pede
Não se repete...(2x)

Cê vai chegar em casa
Eu quero abrir a porta
Aonde você mora
Aonde você foi morar
Aonde foi?...
Não quero estar de fora
Aonde está você?
Eu tive que ir embora
Mesmo querendo ficar
Agora eu sei!...
Eu sei que eu fui embora
E agora eu quero você
De volta pra mim!...

Só achei a versão com Cidade Negra:




E por último, por esses dias estava escutando uma música que gosto muito, também cantada por Cássia Eller e, por acaso, vi o nome dela nos compositores :O foi aí que decidi escrever esse post, ela merece :)

Palavras Ao Vento
Composição: Marisa Monte / Moraes Moreira

Ando por aí querendo te encontrar
Em cada esquina paro em cada olhar
Deixo a tristeza e trago a esperança em seu lugar
Que o nosso amor pra sempre viva
Minha dádiva
Quero poder jurar que essa paixão jamais será
Palavras apenas
Palavras pequenas
Palavras, momento
Palavras, palavras
Palavras, palavras
Palavras ao vento

Primeiro uma trecho com Marisa Monte:




Acho com Cássia Eller melhor, mas não importa, Marisa quem compôs :)




Bjo a todos

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Bachianas Brasileiras

Olá pessoal,

Escrevendo o post anterior, comecei a ver alguns compositores maravilhosos, mas que não são tão citados. Não estão na mídia :P Compositores antigos, excelentes, com músicas que nunca deveriam ser esquecidas :)

Um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos é Heitor Villa –Lobos, que viveu até 1959 (a relativamente pouco tempo – a geração de nossos pais já tinha nascido). Ele também foi maestro e escrevia músicas para orquestras, músicas clássicas. Participou também da semana de arte moderna em 22.

Lembrei dele ao mostrar A Melodia Sentimental no post passado que é dele e de Dora Vasconcelos. Essa música é parte integrante da obra A Floresta do Amazonas composta para o filme "Green Mansions" de Mel Ferrer.
Também compôs a trilha sonora do filme Deus É Brasileiro, de Cacá Diegues na voz de Djavan.
Não vou colocar vídeo e letra, basta ir ao post anterior :)

Outra música belíssima, que amo escutar é Bachianas brasileiras n 5. Bachianas brasileiras é uma série de nove composições de Heitor Villa-Lobos que fundiu o folclórico brasileiro às formas pré-clássicas no estilo de Bach (por isso o nome). Aria Cantilena da Bachianas brasileiras n 5 é uma das mais conhecidas dele. Coloquei o vídeo de uma versão só tocada, mas a maioria das versões é com uma soprano cantando junto com uma orquestra.



Não dá um arrepio?

Outra música dele também muito conhecida e linda é O Trenzinho do Caipira. É parte integrante da Bachianas Brasileiras nº 2. A obra se caracteriza por imitar o movimento de uma locomotiva com os instrumentos da orquestra. É interessantíssimo sentir o movimento do trem aumentando, você quase enxerga o trem passando. Muito conhecida sendo tocada por orquestras, que enfatizam o barulho do trem, tem uma versão cantada com letra composta por Ferreira Gullar.
A versão clássica, tocada por uma orquestra, pode ser vista abaixo (para quem não tem paciência, escute pelo menos 50 seg, que é quando passa a introdução):




Não irei postar vídeo da versão cantada, pois procurei e não achei nenhum que fosse tão bom quanto a versão orquestrada. Maria Bethânea, apesar de ser maravilhosa, tem mania de cantar fora da marcação da música, não fica legal com essa música que necessita do ritmo pra mostrar o movimento do trem. Boca livre, muda a melodia na hora de cantar, como já disse em post anterior, não gosto disso, com Adriana Calcanhoto achei simples demais. Queria ter achado algum grupo vocal que cantasse lindamente essa música. Se eu achar um dia, altero o post. Mas aí vai a letra:

O Trenzinho do Caipira
Heitor Villa –Lobos/Ferreira Gullar

Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade noite a girar
Lá vai o trem sem destino
Pro dia novo encontrar
Correndo vai pela terra, vai pela serra, vai pelo mar
Cantando pela serra do luar
Correndo entre as estrelas a voar
No ar, no ar,no ar...

Bjo a todos

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Melodia Sentimental

Olá pessoal,

Último post sobre a trilha da novela Cordel Encantado, prometo kkk

Deixei por último duas músicas mais melosas, românticas e lindas.

A primeira Melodia sentimental de Heitor Villa Lobos e Dora Vasconcelos, cantada por Djavan. Villa Lobos é o nosso grande compositor erudito e essa música é linda. Existem muitas versões dela, inclusive com Maria Bethânia (que sempre arrasa), gosto muito com Zizi Possi, mas essa versão é ótima. Escutei essa música com Djavan, pela primeira vez, no filme Deus é Brasileiro, acho que na cena final, quando os personagens ficam deitados no barco olhando a lua e as estrelas. Essa é a música da personagem Luiza,da novela, menina, órfã de mãe, trancafiada pelo pai, e após a morte do mesmo, negociada pelo irmão para se casar com um homem muito mais velho. Não tem uma vida feliz, apesar de ter se apaixonado por um rapaz, este endoidou e resolveu ajudar os pobres, e a abandonou, como se ajudar os pobres impedisse de se casar com alguém. Ela vive de olhar pela janela, ver a vida, e sonhar com o amor, com a felicidade.

Melodia Sentimental
Heitor Vila-lobos / Dora Vasconcelos

Acorda, vem ver a lua
Que dorme na noite escura
Que surge tão bela e branca
Derramando doçura
Clara chama silente
Ardendo meu sonhar
As asas da noite que surgem
E correm no espaço profundo
Oh, doce amada, desperta
Vem dar teu calor ao luar
Quisera saber-te minha
Na hora serena e calma
A sombra confia ao vento
O limite da espera
Quando dentro da noite
Reclama o teu amor
Acorda, vem olhar a lua
Que brilha na noite escura
Querida, és linda e meiga
Sentir meu amor e sonhar



A outra música é Estrela miúda de Luiz Vieira e João do Vale. Não é a primeira vez que cito João do Vale aqui, ele também é o compositor de Carcará, que falei a dois post atrás. Não lembro bem de quem a música é tema, mas acho que é de uma das esposas de Farid, a Bartira, ou será que é da Penélope? kkkk É interpretada por Maria Bethânia que está arrasando novamente. A música é bem regional, de compositores nordestinos (Pernambuco e Maranhão, respectivamente) e é linda.

Estrela Miúda

Luiz Vieira e João Do Vale

Estrela miúda que alumeia o mar
Alumiar terra e mar
Pra meu bem vem me buscar
Há mais de mês que ela não
Que ela não vem me olhar
A garça perdeu a pena
Ao passar no igarapé
Eu também perdi meu lenço
Atrás de quem não me quer
Estrela miúda que alumeia o mar
Alumiar terra e mar
Pra meu bem vem me buscar
Há mais de mês que ela não
Que ela não vem me olhar
A onda quebrou na praia
E voltou a correr no mar
Meu amor foi como a onda
E não voltou pra me beijar.



Acho que com essas músicas finalizamos bem os comentários sobre a trilha de Cordel Encantado :)
Bjos

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Candeeiro Encantado

Olá pessoal,

Nesse post sobre a trilha da novela Cordel Encantado, vem duas músicas bem regionais, não só quem canta ou que escreve, mas o ritmo. Não é música romântica, nem o novo com pitadas de regional. São músicas essencialmente regionais. A primeira é Candeeiro Encantado de Lenine. Ela pode até ter um arranjo mais despojado, mas é bem regional, mostra toda sua raiz e é muito interessante. Adorei essa música e achei que ela se encaixou perfeitamente com o seu personagem, o cangaceiro Herculano.

Candeeiro Encantado
Lenine

Lá no sertão
Cabra macho não ajoelha
Nem faz parelha
Com quem é de traição
Puxa o facão, risca o chão
Que sai centelha
Porque tem vez
Que só mesmo a lei do cão...
É Lamp, é Lamp, é Lamp
É Lampião
Meu candeeiro encantado
Meu candeeiro encantado...
Enquanto a faca não sai
Toda vermelha
A cabroeira
Não dá sossego não
Revira bucho
Estripa corno, corta orelha
Quem nem já fez
Virgulino, o Capitão...
É Lamp, é Lamp, é Lamp
É Lampião
Meu candeeiro encantado
Meu candeeiro encantado...
Já foi-se o tempo
Do fuzil papo amarelo
Prá se bater
Com poder lá do sertão
Mas lampião disse
Que contra o flagelo
Tem que lutar
Comparabelo na mão...
É Lamp, é Lamp, é Lamp
É Lampião
Meu candeeiro encantado
Meu candeeiro encantado
Meu candeeiro encantado...
Falta o cristão
Aprender com São Francisco
Falta tratar
O nordeste como o sul
Falta outra vez
Lampião, trovão, corisco
Falta feijão
Invés de mandacaru
Falei!...
Falta a nação
Acender seu candeeiro
Faltam chegar
Mais Gonzagas lá de Exú
Falta o Brasil
De Jackson do Pandeiro
Maculêlê, Carimbó
Maracatu...
É Lamp, é Lamp, é Lamp
É Lampião
Meu candeeiro encantado
Meu candeeiro encantado
Meu candeeiro encantado...


A segunda é Xamêgo de Luiz Gonzaga e Miguel Lima. Não poderia ter uma novela nordestina, com cangaceiros e cidade de interior sem o grande representante do forró :) O autentico forró pé de serra, gostoso de dançar.

Xamêgo
Luiz Gonzaga e Miguel Lima

O xamêgo dá prazer
O xamêgo faz sofrer
O xamêgo às vezes dói
Às vezes não
O xamêgo às vezes rói
O coração
Todo mundo quer saber
O que é o xamêgo
Niguém sabe se ele é branco
Se é mulato ou negro
Quem não sabe o que é xamêgo
Pede pra vovó
Que já tem setenta anos
E ainda quer xodó
E reclama noite e dia
Por viver tão só
E reclama noite e dia
Por viver tão só
Ai que xodó, que xamêgo
Que chorinho bom
Toca mais um bocadinho
Sem sair do tom
Meu compadre chegadinho
Ai que xamêgo bom
Ai que xamêgo bom



Muito bom né?
Bjos

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Maracatu Atômico

Olá pessoal,

Outro post sobre a trilha da novela Cordel Encantado.

Hoje vou colocar duas músicas antigas interpretadas por dois pernambucanos.

A primeira é Maracatu Atômico de Jorge Mautner e Nelson Jacobina, imortalizada por Chico Science e sua Nação Zumbi. Estilo criado pelo Chico Science, o MangueBeat mistura muitos ritmos (incluindo o rock) com os ritmos pernambucanos, principalmente o maracatu, onde é possível sentir sua batucada nessa música. Fica uma música jovem, mas mantendo um ar regional, não perdendo sua raiz.

Colocaram a versão original do cd Afrociberdelia, já que não seria possível gravar uma nova versão com a participação de Chico Science. E sem ele não teria a mesma graça!! Ponto para a novela :)

Maracatu Atômico
Jorge Mautner/Nelson Jacobina

No bico do beija-flor, beija-flor, beija-flor
Toda fauna-flora agora grita de amor
Quem segura o porta-estandarte
Tem a arte, tem a arte
E aqui passa com raça eletrônico maracatu atômico
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê
Atrás do arranha-céu tem o céu tem o céu
E depois tem outro céu sem estrelas
Em cima do guarda-chuva, tem a chuva tem a chuva,
Que tem gotas tão lindas que até dá vontade de
comê-las
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
No meio da couve-flor tem a flor, tem a flor,
Que além de ser uma flor tem sabor
Dentro do porta-luva tem a luva, tem a luva
Que alguém de unhas tão negras e tão afiadas esqueceu
de pôr
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
No fundo do para-raio tem o raio, tem o raio,
Que caiu da nuvem negra do temporal
Todo quadro negro é todo negro é todo negro
Que eu escrevo seu nome nele só pra demonstrar o meu
apego
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
No bico do beija-flor, beija-flor, beija-flor,
Toda fauna flora agora grita de amor
Quem segura o porta-estandarte
Tem a arte, tem a arte
E aqui passa com raça eletrônico maracatu atômico
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê
Anamauê, auêia, aê...



A segunda é Carcará de João do Vale e José Cândido, imortalizada por Maria Bethânia para a peça Opinião. Essa versão da novela vem com Otto. A interpretação de Maria Bethânia é única e imbatível, mas ficou bem interessante a versão de Otto, gostei :)

Carcará
João do Vale / José Cândido

Carcará
Lá no sertão
É um bicho que avoa que nem avião
É um pássaro malvado
Tem o bico volteado que nem gavião
Carcará
Quando vê roça queimada
Sai voando, cantando,
Carcará
Vai fazer sua caçada
Carcará come inté cobra queimada
Quando chega o tempo da invernada
O sertão não tem mais roça queimada
Carcará mesmo assim num passa fome
Os burrego que nasce na baixada
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará
Pega, mata e come
Carcará é malvado, é valentão
É a águia de lá do meu sertão
Os burrego novinho num pode andá
Ele puxa o umbigo inté matá
Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará




Bjo a todos

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Minha Princesa

Olá pessoal,

Mais um post sobre a trilha da novela Cordel Encantado.

Adorei a abertura e a música caiu perfeitamente. O começo é o homem falando da sua princesa, bela e que gerou um amor profundo nele. Depois a mulher fala de seu cangaceiro, teu guerreiro, cujo braseiro lhe queimou (amor :P) E finaliza com os destinos entrelaçados dos dois.
Ou seja, é a sinopse da novela :) Muito legal. Pelo que achei na net a música é de Gilberto Gil, cantada por ele e Roberta Sá. Ele muito bom, como sempre, ela é boa, porém tenho minhas ressalvas, quando ela surgiu achei ela muito parecida com tudo que já existia, senti falta do novo, Não consigo achar ela maravilhosa, mas é gosto :P

A música está linda :)

Minha princesa
Gilberto Gil

Minha princesa
Quanta beleza coube a ti
Minha princesa
Quanta tristeza coube a mim
Na profundeza
O amor cavou
O amor furou
Fundo no chão
No coração do meu sertão
No meu torrão natal
Meu berço natural
Meu ponto cardeal
Meu açucar, meu sal

Oh, meu guerreiro
O teu braseiro me queimou
Oh, meu guerreiro
Meu travesseiro é teu amor
Meu cangaceiro
Que me pegou
Me carregou
Que me plantou no seu quintal
Me devolveu
Minha casa real
Minh'alma original
Meu vaso de cristal
E o meu ponto final
Nossos destinos
Desde meninos dão-se as mãos
Nossos destinos
De pequeninos eram irmãos
E os desatinos
Também tivemos que vivê-los
Bem juntinhos
E os caminhos
Nos trouxeram para este lugar
Aqui vamos ficar
Amar, viver, lutar
Até tudo acabar



A segunda música é Chão de Giz, de Zé Ramalho, famosa e maravilhosa :) É música tema de Petrus, irmão do rei, que foi colocado em uma máscara de ferro pela esposa para que fosse dado como morto, pois ela queria matar a princesa e, com isso, deixar o trono para sua filha. Ele é um personagem perturbado, que está tendo fleches de memória, reaprendendo a falar e se apaixonando por uma mulher casada, Florinda.

Zé Ramalho como sempre, o melhor intérprete dessa música.

Chão de Giz
Zé Ramalho

Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre
Um Chão de Giz
Há meros devaneios tolos
A me torturar
Fotografias recortadas
Em jornais de folhas
Amiúde!
Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes...
Disparo balas de canhão
É inútil, pois existe
Um grão-vizir
Há tantas violetas velhas
Sem um colibri
Queria usar quem sabe
Uma camisa de força
Ou de vênus
Mas não vou gozar de nós
Apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom...
Agora pego
Um caminhão na lona
Vou a nocaute outra vez
Prá sempre fui acorrentado
No seu calcanhar
Meus vinte anos de "boy"
That's over, baby!
Freud explica...
Não vou me sujar
Fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes
Já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo
É assunto popular...
No mais estou indo embora!
No mais estou indo embora!
No mais estou indo embora!
No mais!...




Bjos a todos

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Quando Assim

Olá pessoal,

Ainda no clima regional, hoje gostaria de falar sobre a trilha sonora de Cordel Encantado, a novela das 6 atual da globo.

Primeiro, estou gostando sim do sotaque do pessoal. É a primeira vez que não fazem um sotaque bem ridículo como em A Indomada ou Senhora do Destino. Alguns atores não conseguem esquecer o chiado, é verdade, como a atriz Heloisa Périssé, que nunca vi chiar tanto pra falar. Mas gosto muito de Marcos Caruso e me surpreendi com os jovens, que estão conseguindo se sair melhor com o sotaque que os mais velhos.

Sobre a trilha, é um agrado a parte, podemos escutar Lenine, Gilberto Gil, Luiz Gonzaga, Djavan, todos em uma mesma trilha. Só uma novela nordestina pra trazer tanta qualidade em um só CD e só uma novela nordestina pra reconhecer um pouquinho os artistas daqui. Senti falta de um local onde estivesse escrito a lista das músicas desse novo CD, acho coisas na net mas não batem com o que escutamos na novela.

Pois bem, é muita música boa, então vou falar das músicas em vários Posts.

Resolvi começar com uma música nova, que me chamou atenção por sua leveza, suavidade. O nome da música é Quando Assim de Núria Mallena. É a música tema de Maria Cesária e O rei Augusto. O rei é leso, só faz besteira, mas o tema é lindo.

A primeira frase já me chamou a atenção: “Quando eu era espera, nada era, nem chovia, nem fazia”, imagine uma pessoa que vive de esperar, esperar por algo melhor, por uma mudança na vida e nada acontecia, nem chovia nem fazia nada (sol, chuva, frio, calor). Uma pessoa que pouco tem e que só se sente inteira (completa) quando cria a ilusão em sua cabeça de ser algo diferente, melhor (estrela). E aí surge o amor :)

Quando Assim

Núria Mallena

Quando eu era espera,
Nada era, nem chovia, nem fazia;
Só senti que a calma, não acalma
Quando só há solidão.

Quando eu era estrela
Era inteira na mentira que eu dizia

Ser o que não era,
Convencia, dentro da minha ilusão.

Quando eu fui nada,
Faltou nada, tudo pronto pra escrever

Eu não sabia buscar,
Foi quando apareceu,
O que eu quis inventar,
Pra preencher o meu mundo particular,
No peito que era seu
No seu mundo não há
Mais nada que não eu,
Já sei dizer que o amor pode acordar.

Eu não sabia buscar,
Foi quando apareceu,
O que eu quis inventar,
Pra preencher o meu mundo particular,
No peito que era seu
No seu mundo não há
Mais nada que não eu,
Já sei dizer que o amor pode acordar.




Outra música muito bonita também é a de Maria Gadú, Bela Flor, música da protagonista, Açucena/Aurora, chamada pelo profeta da cidade (Miguesim) de flor. Como sempre, Maria Gadú com sua linda voz, encanta :)

BELA FLOR - MARIA GADÚ

A Flor que vem me lembra
A Flor que é quase igual
A Flor que muito pensa
A Flor que fecha o Sol
Parece a mesma flor
Só muda o coração
Quando se unem são
A Flor que inspirou a canção

Bela Flor, pouco disse
Gêmea Flor, que cresceu no Rio
Bela Flor, pouco disse
Gêmea Flor, que cresceu no Rio

Que dance a linda flor girando por aí
Sonhando com amor sem dor, amor de flor
Querendo a flor que é, no sonho a flor que vem
Ser duplamente flor, encanta colore e faz bem

Bela Flor, pouco disse
Gêmea Flor, que cresceu no Rio
Bela Flor, pouco disse
Gêmea Flor, que cresceu no Rio

Oh flor, se tu canta essa canção
Todo o meu medo se vai pro vão
Pra longe, longe que eu não quero ir
Mas deixe seu rastro pólen, flor pra eu poder seguir

Bela Flor, pouco disse
Gêmea Flor, que cresceu no Rio
Bela Flor, pouco disse
Gêmea Flor, que cresceu no Rio




Essa novela promete e a trilha também :)

Bjos

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Olha pro céu meu amor

Olá pessoal,

O dia da nossa maior festa regional chegou e, por mais que eu escute e goste de várias músicas, o forró é o grande astro nesse momento.

Por esse motivo esse post é sobre ele :)

Acredito que a música mais marcante do São João de Campina Grande é Olha Pro Céu de Luiz Gonzaga e José Fernandes, já que é a que abre o nosso São João junto com os fogos.

Essa é uma cultura que temos aqui e é única. Nasci e morei em Niterói (RJ) até os 8 anos de idade e me lembro o que é são João para eles, é muito diferente. Para começar não é festa junina é festa julina (julho), esse feriado do dia 23 (véspera de São joão) até 29 (são pedro) é coisa nossa (vou falar sempre assim, já me incluo na cultura daqui :)). Lá a festa julina é uma quermesse, com barraquinhas para acertar argolas e pescar peixes de plástico com vara.


Já pensou quem vem pra cá e entra nesse parque do povo o que vê? Loucura.


Roupa? A mais esculhambada e pobre possível, bem matuta e remendada.



Tá certo, a idéia é essa, mas aqui, existe o quadriculado, o remendado, mas na verdade as roupas são riquíssimas (e caras), grandes vestidos, armados, cheios de mangas fofas, com babados e laços.

Música? Toca forró, sim, mas lembro que, quando criança, a representatividade de são João era: “cai cai balão” ou “capelinha de melão ... é de São João”. Pois é, aqui nem se imagina músicas de ciranda de criança em uma festa de São João.

O que sei é que nossa festa, não é uma festa matuta, com prendas e músicas bobas. Na verdade, é uma festa a altura de qualquer grande festa, onde as pessoas se arrumam pra ir (casacos, por favor, aqui faz um friozinho no inverno já que é alto de serra e a festa é ao ar livre), com bares e restaurantes por todo o local do evento com as comidas típicas maravilhosas e as bebidas normais, consumidas por todos, e as da região (canas fortes e boas, que não é pra qualquer caba não), além de shows de grandes nomes nacionais (bons e ruins :P) finalizando com as ilhas de forró, espalhadas por todo o evento para que ninguém precise se deslocar até perto do palco para dançar.

Tinha que colocar com Luiz Gonzaga, voz única:

Olha Pro Céu

Olha pro céu, meu amor
Vê como ele está lindo
Olha pra aquele balão multicor
Como no céu vai sumindo

Foi numa noite igual a esta
Que tu me deste o coração
O céu estava assim em festa
Porque
era noite de São João

Havia balões no ar
Xote, baião no salão
E no terreiro, o teu olhar
Que incendiou
Meu coração





Resolvi colocar aqui também uma música que adoro, e que nem sei se é conhecida fora do nordeste (Santana é conhecido por lá? Se não é, deveria), mas que representa a inocência da cultura nordestina ao representar o amor:

Se Tu Quiser
Xico Bezerra

Se tu quiser
eu invento um vento pra ventar o amor
uma chuva bem chovida pra chover pé de fulô
pra tu ficar cheirosa e vir dançar mais eu
se tu quiser
poemo um poema bem cheio de rima
acendo a estrela mais bonita lá de cima
faço tudo que puder pra tu ficar mais eu
se tu quiser
eu crio um sentimento pra gente se amar
descubro um jeito novo de te abraçar
te beijo com um beijo que ninguém nunca beijou
se tu quiser
basta me dizer que eu irei correndo
é só me avisar que tu tá me querendo
e o mundo vai saber o que é um grande amor



Não é lindo?

Bjo a todos

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Sem Fantasia

Olá pessoal,

Todos devem saber que eu adoro músicas de Chico Buarque :) Pois bem, escutando algumas músicas dele percebi que um tipo de música que me encanta escutar é a que foi feita para ser cantada por um casal, um dueto.

Gosto dessas músicas porque Chico deixa bem claro nos textos as diferenças quando um homem e uma mulher falam. Gosto de fazer essas relações.

Quatro músicas em especial me chamam atenção: Dueto, Eu te amo, Noite dos Mascarados, Sem fantasia.

Hoje vou falar sobre Sem Fantasia.

Nessa música, a primeira parte é cantada pela mulher e a segunda pelo homem.

A mulher pede, implora para que seu amor venha (por favor, pelo amor de Deus). Ela fala do seu amor, dor, apelo e o quer para cuidar (vem que eu te quero, fraco ... tolo ... todo meu). É a imagem da mulher que cuida, que ama e que está ali pedindo pela volta do seu amor.

O homem, por sua vez, não vem pedir, ele vem pegar para ele esse amor o que é dele de direito (é o que ele acha). Ele não chega pedindo e mostrando o quanto sofreu, ele chega mostrando que para vê-la “custou tanto penar”. Ele vem convencê-la de que não veio para morrer de esperar por ela. Aí ele conta tudo que ele fez para estar com ela (As chuvas que apanhei, as noites que varei no escuro a te buscar ... as marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei, Nas discussões com Deus) Ele chega exigindo o amor dela (Eu quero a recompensa, Eu quero a prenda imensa dos carinhos teus).

São duas formas diferentes de ver o mesmo amor.

O legal é que são duas melodias diferentes, mas sobrepostas, dá pra cantar juntas como se fossem primeira e segunda voz. E a palavra Deus aparece no mesmo momento nas duas :)

É um trabalho lindo, relembrando o que eu disse na postagem “Deus lhe pague”, mudar a melodia ou a letra de uma música assim é acabar com um trabalho detalhista, onde cada nota está onde o compositor quer que esteja, onde cada palavra está no lugar onde foi planejado.

Procurei um vídeo em que Oswaldo Montenegro cantasse essa música, pois adoro a interpretação dele. E para minha surpresa achei Mariana Rios cantando com ele, ficou bem interessante.

Sem Fantasia

Chico Buarque

Vem, meu menino vadio
Vem, sem mentir pra você
Vem, mas vem sem fantasia
Que da noite pro dia
Você não vai crescer

Vem, por favor não evites
Meu amor, meus convites
Minha dor, meus apelos
Vou te envolver nos cabelos
Vem perde-te em meus braços
Pelo amor de Deus

Vem que eu te quero fraco
Vem que eu te quero tolo
Vem que eu te quero todo meu

Ah, eu quero te dizer
Que o instante de te ver
Custou tanto penar
Não vou me arrepender
Só vim te convencer
Que eu vim pra não morrer

De tanto te esperar
Eu quero te contar
Das chuvas que apanhei
Das noites que varei
No escuro a te buscar
Eu quero te mostrar
As marcas que ganhei
Nas lutas contra o rei
Nas discussões com Deus
E agora que cheguei
Eu quero a recompensa
Eu quero a prenda imensa
Dos carinhos teus






Bjo atodos


quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sunday Bloody Sunday

Olá pessoal,

Semana passada fui ao show de U2 em Sampa. Foi muito bom!!!!

Resolvi ir um pouco mais atrás da história de uma das músicas mais conhecidas deles: Sunday bloody Sunday, eis o que achei:

O domingo sangrento foi 30 de janeiro de 1972, quando católicos da Irlanda do Norte foram às ruas em um protesto pacífico. Eles protestavam pelos direitos civis da Northerm Ireland Civil Rights Association, após a publicação de um decreto do Governo Britânico que permitia a prisão de elementos suspeitos de terrorismo sem julgamento. Essa política era dirigida contra o Exército Republicano Irlandês, o IRA, uma organização clandestina que lutava pela separação da Irlanda do Norte da Grã-bretanha e posterior união com a República da Irlanda. Isso acontecia pelo fato da parte católica da Irlanda do Norte brigar pela anexação do território à Irlanda, de maioria católica, deixando de ser subordinado ao Reino Unido, de maioria protestante. Pelo que entendi, a briga não é religiosa e sim pela independência da terra, mas acaba havendo uma separação religiosa devido ao fato do Reino Unido ser de maioria protestante e a Irlanda católica.

Eram milhares de pessoas, muitas crianças e mulheres. O exército inglês recebeu ordens para avançar sobre os manifestantes, prender o maior número deles e dispersar a manifestação, começando assim o clima de tensão. As tropas britânicas entraram em conflito com os manifestantes e mataram 14 pessoas (6 menores) e deixaram ainda 25 feridas, 5 das vítimas foram alvejadas pelas costas.

O caso foi investigado pelo governo britânico e virou pizza (não é só aqui no Brasil), alegaram que foi legítima defesa, que os manifestantes começaram :O

O “domingo sangrento” desencadeou uma aumento de violência e atos terroristas na Irlanda do Norte.

Fora U2, outros músicos também fizeram seu protesto a esse acontecimento, dois interessantes foram:

John Lennon (que era de ascendência irlandesa) apresentou no álbum Some Time in New York City uma canção intitulada "Sunday Bloody Sunday", inspirada no incidente, assim como a canção "Luck of the Irish" (A sorte dos irlandeses), que tratou mais com o conflito irlandês em geral.

Paul McCartney, igualmente com ascendência irlandesa, criando a música "Give Ireland Back to the Irish" (Devolvam a Irlanda aos Irlandeses), expressando sua opinião sobre o assunto. Foi uma das poucas canções solo de McCartney de ser banida pela BBC.

Voltando agora a nossa música, é uma música que pode ser cantada atualmente e em qualquer nação (Não posso acreditar nas notícias de hoje, Não posso fechar os olhos e fazê-las desaparecer), não é isso que se pensa depois da chacina que teve na escola?

Sunday Bloody Sunday

U2

Composição : Bono Vox / The Edge / Adam Clayton / Larry Mullen Jr


Sunday Bloody Sunday

I can't believe the news today

I can't close my eyes and make it go away

How long, how long must we sing this song?

How long, how long?

'Cos tonight

We can be as one, tonight

Broken bottles under children's feet

Bodies strewn across the dead-end street

But I won't heed the battle call

It puts my back up, puts my back up against the wall

Sunday, bloody Sunday

Oh, let's go

And the battle's just begun

There's many lost, but tell me who has won?

The trenches dug within our hearts

And mothers, children, brothers, sisters torn apart

Sunday, bloody Sunday

How long, how long must we sing this song?

How long, how long?

'Cause tonight

We can be as one, tonight

Sunday, bloody Sunday

Wipe the tears from your eyes

Wipe your tears away

I'll wipe your tears away (2x)

I'll wipe your bloodshot eyes

Sunday, bloody Sunday

And it's true we are immune

When fact is fiction and TV reality

And today the millions cry

We eat and drink while tomorrow they die

The real battle just begun

To claim the victory Jesus won

On

Sunday, bloody Sunday




E pra finalizar, essa música sendo apreciada por nós :) (Eu, Victor, Yuri e amigos)



Bjos

terça-feira, 22 de março de 2011

Deus Lhe pague

Olá pessoal,

Semana passada foi carnaval e acabei não tendo tempo de postar nada, mas o post anterior já foi sobre carnaval justamente porque eu previa que isso pudesse acontecer.

O post de hoje é sobre interpretações de músicas. Não estou querendo listar nem dizer favoritas, isso seria impossível. Praticamente todas as músicas têm regravações, ou seja, são interpretadas por outros cantores (ou pelos mesmos :P). O mundo musical é feito de diversas interpretações das músicas existentes.

Não estou aqui entrando no mérito de versões e traduções, isso pode ficar para outro post :)

Vários cantores pegam uma música já existente e dão uma nova roupagem, tocam mais lenta, mais rápida, colocam arranjos, mas seguem a melodia da música, ou seja, se eu conheço a música, eu consigo cantar junto.

O que me chamou atenção para o post de hoje são interpretações que, para mim, deveriam ser chamadas de paródias. O intérprete pega a letra da música e a canta com uma melodia completamente diferente, muitas vezes até com as divisões das estrofes diferentes. Se você conhece a música, não adianta, você não vai conseguir cantar junto. Na maioria das vezes você nem reconhece a música :(

Eu particularmente não gosto desse tipo de modificação, já que o compositor muitas vezes se preocupa na hora de casar letra e melodia, aquela palavra foi escolhida para aquele lugar por causa da melodia, da sonoridade. Vi um comentário sobre a música Beatriz de Chico Buarque e Edu Lobo dizendo que a parte mais aguda da melodia é cantada com a palavra “céu” e a parte mais baixa/grave está com a palavra “chão”, se você tira a melodia, você tira todo o trabalho da parceria.

Ou seja, cantando uma letra com uma melodia totalmente diferente, o intérprete está acabando com o trabalho do compositor, jogando no lixo, é como se ele estivesse pegando um poema e musicando, só a letra serve.

Alguns dizem: “Mas isso foi feito para mudar o estilo!”. Não é preciso acabar com a melodia para mudar o estilo. Irei mostrar aqui versões originais e versões que mudaram a melodia da música e depois versões originais e versões que mudaram o estilo sem mudar a melodia.

Antes gostaria de deixar claro que não tenho nada contra esses intérpretes que mostrarei, gosto deles, mas só achei infeliz essa interpretação específica, não pela voz ou arranjo, mas por não estar tocando a mesma música, só ter aproveitado a letra.

A primeira música é “Your Song” de Elton John e Bernie Taupin. Vejam a versão original:




Agora a versão de Billy Paul, não é diferente?



A segunda música é a que me levou a esse post, “Deus lhe pague” de Chico Buarque:




A versão do Rappa divide as estrofes de forma diferente, além de estar cantando outra melodia, né?



Agora, exemplos bem sucedidos, eles souberam mudar o estilo sem arrancar a melodia.

A primeira música é “Proibida pra Mim” de Charlie Brown Jr.



A versão de Zeca Baleiro tornou o rock em uma música lenta e, porque não dizer, romântica, mas a melodia é a mesma, dá pra cantar junto.



A segunda música é “Over the Raimbow” de Harold Arlen e E.Y.Harburg largamente conhecida no filme “O mágico da Oz”, cantada por Judy Garland.



A versão de Israel Kamakawiwo'ole (que faz uma junção com What a Wonderful World de Louis Armstrong) transformou a música em algo meio surf, meio havaiano, um estilo bem diferente, mas a melodia está lá, a gente canta junto.



Não sei se todos entenderam onde eu queria chegar, espero ter explicado bem meu ponto de vista.

Bjo a todos

quarta-feira, 2 de março de 2011

Noite dos Mascarados

Carnaval!!!

Pessoal, o carnaval chegando e as músicas de carnaval começam a pipocar :)

Gostaria de falar um pouco das músicas que, para mim, representam o carnaval. Começo com as marchinhas, acho elas a representação real do carnaval, são as músicas que me fazem imaginar bailes com as pessoas fantasiadas, alegres, cantando essas letras antigas, mas sempre na moda. As letras são fáceis para que uma pessoa, na situação que está na festa (trêbada) possa aprender e acompanhar rapidamente. Vou listar algumas de milhões que existem:

ABRE ALAS

(Chiquinha Gonzaga, 1899)

Ó abre alas que eu quero passar

Ó abre alas que eu quero passar

Eu sou da lira não posso negar

Eu sou da lira não posso negar

...

CABELEIRA DO ZEZÉ

(João Roberto Kelly-Roberto Faissal, 1963)

Olha a cabeleira do zezé

Será que ele é

Será que ele é

...

CACHAÇA

(Mirabeau Pinheiro-Lúcio de Castro-Heber Lobato, 1953)

Você pensa que cachaça é água

Cachaça não é água não

Cachaça vem do alambique

E água vem do ribeirão

...

CIDADE MARAVILHOSA

(André Filho, 1934)

Cidade maravilhosa

Cheia de encantos mil

Cidade maravilhosa

Coração do meu Brasil

...

MAMÃE EU QUERO

(Jararaca-Vicente Paiva, 1936)

Mamãe eu quero, mamãe eu quero

Mamãe eu quero mamar

Dá a chupeta, dá a chupeta

Dá a chupeta pro bebe não chorar

...

MARCHA DO REMADOR

(Antônio Almeida - 1969)

Se a canoa não virar olê olê olá

Eu chego lá

...

ME DÁ UM DINHEIRO AÍ

(Ivan Ferreira-Homero Ferreira-Glauco Ferreira, 1959)

Ei, você aí!

Me dá um dinheiro aí!

Me dá um dinheiro aí!

...

SACA-ROLHA

(Zé da Zilda-Zilda do Zé-Waldir Machado, 1953)

As águas vão rolar

Garrafa cheia eu não quero ver sobrar

Eu passo mão na saca saca saca rolha

E bebo até me afogar

Deixa as águas rolar

...

TA-HÍ!

(Joubert de Carvalho, 1930)

Taí eu fiz tudo pra você gostar de mim

Ai meu bem não faz assim comigo não

Você tem você tem que me dar seu coração

...

Vou colocar na íntegra uma que gosto muito, não sei bem o motivo, mas que faz referência a três grandes personagens do carnaval antigo: a colombina, o pierrô e o arlequim.

MÁSCARA NEGRA

(Zé Keti-Pereira Mattos, 1966)

Quanto riso oh quanta alegria

Mais de mil palhaços no salão

Arlequim está chorando

Pelo amor da colombina

No meio da multidão

Foi bom te ver outra vez

Está fazendo um ano

Foi no carnaval que passou

Eu sou aquele pierrô

Que te abraçou e te beijou meu amor

Na mesma máscara negra

Que esconde o teu rosto

Eu quero matar a saudade

Vou beijar-te agora

Não me leve a mal

Hoje é carnaval




Pensando nos carnavais atuais, o que me lembra carnaval é samba e frevo. O primeiro, muito ligado ao Rio de Janeiro, onde tem escolas de samba consagradas com sambas-enredo que fizeram história e são lembradas até hoje:

Samba Enredo 1989 - Liberdade, Liberdade! Abra as asas sobre nós

Imperatriz Leopoldinense

Liberdade!, Liberdade!

Abre as asas sobre nós

E que a voz da igualdade

Seja sempre a nossa voz

Samba Enredo 1993 - Explode coração

Salgueiro (RJ)

Explode coração

Na maior felicidade

É lindo o meu Salgueiro

Contagiando, sacudindo essa cidade

Já o frevo, representa Recife e Olinda, mantendo suas raízes. Acho que não existe música melhor para representar o frevo que Vassourinhas, é pura animação!



E para finalizar, uma marchinha que fala de carnaval chamada: Noite dos Mascarados de Chico Buarque. É um diálogo de um homem e uma mulher dizendo que os mascarados procuram no baile seus namorados (ou enamorados - paqueras) para cair em seus braços (quero saber o seu jogo... quero morrer no seu bloco... quero me arder no seu fogo).

Em uma parte do diálogo eles se mostram antagônicos em suas características e gostos (Eu tenho um pandeiro. Só quero um violão! Eu nado em dinheiro. Não tenho um tostão), mas é carnaval, eles devem aproveitar (Deixa a festa acabar, deixa o barco correr, Deixa o dia raiar) já que no dia seguinte tudo volta ao normal. E finaliza com uma frase que, se for verdade para a época que a música foi criada, não fica pra traz de nenhum carnaval atual :P (Deixa o dia raiar que hoje eu sou da maneira que você me quer, o que você pedir eu lhe dou, seja você quem for, seja o que Deus quiser!)

Noite dos Mascarados

Chico Buarque

- Quem é você?

- Adivinha se gosta de mim!

Hoje os dois mascarados

Procuram os seus namorados

Perguntando assim:

- Quem é você, diga logo...

- Que eu quero saber o seu jogo...

- Que eu quero morrer no seu bloco...

- Que eu quero me arder no seu fogo.

- Eu sou seresteiro, poeta e cantor.

- O meu tempo inteiro, só zombo do amor.

- Eu tenho um pandeiro.

- Só quero um violão!

- Eu nado em dinheiro.

- Não tenho um tostão... Fui porta-estandarte, não sei mais dançar...

- Eu, modéstia à parte, nasci prá sambar.

- Eu sou tão menina...

- Meu tempo passou...

- Eu sou Colombina!

- Eu sou Pierrô!

Mas é Carnaval! Não me diga mais quem é você!

Amanhã tudo volta ao normal.

Deixa a festa acabar, deixa o barco correr,

Deixa o dia raiar que hoje eu sou

Da maneira que você me quer.

O que você pedir eu lhe dou,

Seja você quem for, seja o que Deus quiser!

Seja você quem for, seja o que Deus quiser!



Bjos

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Mil Perdões

Olá pessoal,

Ontem eu estava conversando sobre perdão com um amigo meu (Bruno Alexandre) e fiquei pensando sobre o que é perdoar e quem “merece” perdão, quem precisa, essas coisas.
Isso é uma discussão muito profunda, envolve crenças, não vou entrar nesse mérito aqui, mas é algo bem interessante a se discutir e se pensar.

Mas, pensando na palavra perdoar, me lembrei de uma música que amo, acho a melodia linda e a letra instigante.
O título é Mil Perdões de Chico Buarque e é um pedido de perdão, mas bem peculiar.
Primeiro, já vi discussões de que é um pedido de perdão de uma mulher para um homem, já que tem um trecho que diz “Te perdôo ... Por ergueres a mão ... Por bateres em mim...”. Eu não acho isso, mulher também bate em homem :)

Para mim essa letra mostra um lado bem machista que diz que perdoa a mulher por ser tão ciumenta e neurótica com ele (“Te perdôo por ligares ... Pra todos os lugares ... De onde eu vim ... Por contares minhas horas ... Nas minhas demoras por aí”). Essa neurose na verdade é criada pela infidelidade dele (“Te perdôo ... Quando anseio pelo instante de sair ... E rodar exuberante ... E me perder de ti”) e pelo amor que ela sente (“Te perdôo ... Por pedires perdão ... Por me amares demais”).

E finaliza com o posicionamento de que, se ele trai a culpa é dela, por esse comportamento que ela tem, por esse amor demasiado, por esse cuidado e vigia e também pelo mundo machista em que ele se insere (lembrando que é uma música de 1983) – (“Te perdôo porque choras ... Quando eu choro de rir ... Te perdôo ... Por te trair”).

Mil Perdões
Chico Buarque

Te perdôo
Por fazeres mil perguntas
Que em vidas que andam juntas
Ninguém faz
Te perdôo
Por pedires perdão
Por me amares demais

Te perdôo
Te perdôo por ligares
Pra todos os lugares
De onde eu vim
Te perdôo
Por ergueres a mão
Por bateres em mim

Te perdôo
Quando anseio pelo instante de sair
E rodar exuberante
E me perder de ti
Te perdôo
Por quereres me ver
Aprendendo a mentir (te mentir, te mentir)

Te perdôo
Por contares minhas horas
Nas minhas demoras por aí
Te perdôo
Te perdôo porque choras
Quando eu choro de rir
Te perdôo
Por te trair




Também na linha da traição, lembrei de uma música que seria o oposto dessa: um homem que é traído e também continua com a mulher amada. Ele sente um amor tão grande que não entende porque ainda não a largou (“Não sei porquê Insisto tanto em te querer ... Por quantas vezes Me dá raiva de querer ... Em concordar com tudo Que você me faz ... Já fiz de tudo Prá tentar te esquecer ... Falta coragem prá dizer Que nunca mais...”). E ele ainda conclui, como na música anterior, que a culpa também é dele (pelo menos não é só dele) (“Nós somos cúmplices Nós dois somos culpados ... No mesmo instante Em que teu corpo toca o meu ... Já não existe Nem o certo, nem errado ... Só o amor que por encanto Aconteceu...”). Ele acaba perdoando a amada (“E é só assim Que eu perdôo
Os teus deslizes”). Deslizes, música muito famosa na voz de Fagner.

Deslizes
Michael Sullivan / Paulo Massadas

Não sei porquê
Insisto tanto em te querer
Se você sempre faz de mim
O que bem quer
Se ao teu lado
Sei tão pouco de você
É pelos outros que eu sei
Quem você é...
Eu sei de tudo
Com quem andas, aonde vais
Mas eu disfarço o meu ciúme
Mesmo assim
Pois aprendi
Que o meu silêncio vale mais
E desse jeito eu vou trazer
Você pra mim...
E como prêmio
Eu recebo o teu abraço
Subornando o meu desejo
Tão antigo
E fecho os olhos
Para todos os teus passos
Me enganando
Só assim somos amigos...
Por quantas vezes
Me dá raiva de querer
Em concordar com tudo
Que você me faz
Já fiz de tudo
Prá tentar te esquecer
Falta coragem prá dizer
Que nunca mais...
Nós somos cúmplices
Nós dois somos culpados
No mesmo instante
Em que teu corpo toca o meu
Já não existe
Nem o certo, nem errado
Só o amor que por encanto
Aconteceu...
E é só assim
Que eu perdôo
Os teus deslizes
E é assim o nosso
Jeito de viver
E em outros braços
Tu resolves tuas crises
Em outras bocas
Não consigo te esquecer
Te esquecer...




E pra finalizar, eu queria uma música que tivesse um pedido de perdão sincero e correto (se é que isso existe), onde a pessoa que traiu assumisse a culpa, a pessoa traída não fosse humilhada com uma acusação leviana e que mostrasse arrependimento e a sensação de que não valeu e não vale a pena o que ele fez. Um Dia um Adeus de Guilherme Arantes mostra que ele errou por algo que percebeu que não valia a pena (“Quanta loucura Por tão pouca aventura... O que é que eu faço Prá você me perdoar...”) e agora está perdido diante do fato de não conseguir o perdão da amada e correr o risco de perder de vez o amor da pessoa que dá sentido a sua vida (“Só você prá dar A minha vida direção ... O tom, a cor ... Me fez voltar a ver a luz”) e que ele ama como ninguém já mais amou (“Ninguém jamais te amou
Como eu”). Concordo que nessa música não fica explicita uma traição de fato, mas trair não é só com outra pessoa, trair sentimento, confiança, cumplicidade, também é trair. Na música é como se ele tivesse largado ela por uma aventura (“Um dia um adeus E eu indo embora ... Quanta loucura Por tão pouca aventura”) então ele traiu o amor dos dois por uma aventura que não valeu a pena ( tão pouca). Coloquei uma versão com Vanessa da Mata, muito bonita.

Um Dia, Um Adeus

Guilherme Arantes

Só você prá dar
A minha vida direção
O tom, a cor
Me fez voltar a ver a luz
Estrela no deserto a me guiar
Farol no mar, da incerteza...
Um dia um adeus
E eu indo embora
Quanta loucura
Por tão pouca aventura...
Agora entendo
Que andei perdido
O que é que eu faço
Prá você me perdoar...
Ah! que bom seria
Se eu pudesse te abraçar
Beijar, sentir
Como a primeira vez
Te dar o carinho
Que você merece ter
E eu sei te amar
Como ninguém mais...
Ninguém mais
Como ninguém
Jamais te amou
Ninguém jamais te amou
Te amou...
Ninguém mais
Como ninguém
Jamais te amou
Ninguém jamais te amou
Como eu, como eu...




Bjos a todos

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Você vai Lembrar de Mim

É difícil uma música chamar atenção de cara. Cada vez que escuto uma música assim, corro pra saber de quem é e quem canta.

Tive essa sensação ao assistir à novela Ti ti ti e escutar o tema de Renato e Marcela (novamente eles – veja post sobre a música Fanatismo). Escutei uma música que me agradou muito, gostei da melodia, do arranjo, da letra e da voz.

Fui procurar na net e descobri que essa é uma música antiga e foi regravada para essa novela. É impressionante como as músicas de décadas atrás aparentam ser ainda mais bonitas quando colocadas nesse mundo musical atual. O contraste com o que é, muitas vezes, produzido atualmente, faz com que essas músicas deixem de ser bonitas para serem lindas : ) Existem produções boas hoje em dia, não estou falando mal de tudo que toca por aí, estou inclusive curtindo muito Maria Gadú, a voz dela é gostosa de se escutar, mas tem muita coisa ruim tocando. Cada vez surgem mais e mais e chega a dar uma tristeza ao ligar o rádio.

Sendo assim, vivemos muito de releituras trazendo reconhecimento a pessoas ou bandas deixadas de lado.

Pois bem, descobri que a música que eu gostava nada mais era que uma música da banda Nenhum de nós, lembram dela? Muito conhecida na década de 80, criou sucessos que embalam as turmas até hoje, mesmo as turmas que não sabem quem são os verdadeiros donos desses sucessos.

A música que gostei se chama Você vai lembrar de Mim e foi regravada por Milton Guedes. Achei o novo arranjo muito legal, deu um toque mais romântico.

Você Vai Lembrar De Mim

Nenhum de Nós

Composição: Thedy Corrêa

Quando eu te vejo

Espero teu beijo

Não sinto vergonha

Apenas desejo

Minha boca encosta

Em tua boca que treme

Meus olhos eu fecho

Mas os teus estão abertos

Tudo bem se não deu certo

Eu achei que nós chegamos tão perto

Mas agora com certeza eu enxergo

Que no fim eu amei por nós dois

Mas você lembra!

Você vai lembrar de mim

Que o nosso amor valeu a pena

Lembra é o nosso final feliz

Você vai lembrar...

Você vai lembrar de mim.

Esse foi um beijo de despedida

Que se dá uma vez só na vida

Explica tudo, sem brigas

E clareia o mais escuro dos dias

Tudo bem se não deu certo

Eu achei que nós chegamos tão perto

Mas agora com certeza eu enxergo

Que no fim eu amei por nós dois

Mas você lembra!

Você vai lembrar de mim

Que o nosso amor valeu a pena

Lembra é o nosso final feliz

Você vai lembrar...

Vai lembrar...sim...

Você vai lembrar de mim



Biquíni Cavadão adora Nenhum de Nós, dado que dois grandes sucessos do segundo são tocados sempre pelo primeiro. Letras e vídeos abaixo de Camila, Camila e de Astronauta de Mármore.

Camila Camila

Nenhum de Nós

Composição: Carlos Stein / Sady Hömrich / Thedy Corrêa

Depois da última noite de festa

Chorando e esperando amanhecer, amanhecer

As coisas aconteciam com alguma explicação

Com alguma explicação

Depois da última noite de chuva

Chorando e esperando amanhecer, amanhecer

Às vezes peço a ele que vá embora

Que vá embora

Camila, Camila, Camila

Eu que tenho medo até de suas mãos

Mas o ódio cega e você não percebe

Mas o ódio cega

E eu que tenho medo até do seu olhar

Mas o ódio cega e você não percebe

Mas o ódio cega

A lembrança do silêncio

Daquelas tardes, daquelas tardes

Da vergonha do espelho

Naquelas marcas, naquelas marcas

Havia algo de insano

Naqueles olhos, olhos insanos

Os olhos que passavam o dia

A me vigiar, a me vigiar

Camila, Camila, Camila

E eu que tinha apenas 17 anos

Baixava a minha cabeça pra tudo

Era assim que as coisas aconteciam

Era assim que eu via tudo acontecer

Camila, Camila, Camila



Astronauta de Mármore por sua vez é uma versão da música StartMan de David Bowie.

O Astronauta De Mármore

Composição: David Bowie (versão: Nenhum de Nós)

A lua inteira agora

É um manto negro

Oh! Oh!

O fim das vozes no meu rádio

Oh! Oh!

São quatro ciclos

No escuro deserto do céu...

Quero um machado

Prá quebrar o gelo

Oh! Oh!

Quero acordar

Do sonho agora mesmo

Oh! Oh!

Quero uma chance

De tentar viver sem dor...

Sempre estar lá

E ver ele voltar

Não era mais o mesmo

Mas estava em seu lugar...

Sempre estar lá

E ver ele voltar

O tolo teme a noite

Como a noite

Vai temer o fogo...

Vou chorar sem medo

Vou lembrar do tempo

De onde eu via o mundo azul...

Hum! Hum! Hum Hum! Hum!...

A trajetória

Escapa o risco nú

Uh! Uh!

As nuvens queimam o céu

Nariz azul

Uh! Uh!

Desculpe estranho

Eu voltei mais puro do céu...

A lua o lado escuro

É sempre igual

Al! Al!

No espaço a solidão

É tão normal

Al! Al!

Desculpe estranho

Eu voltei mais puro do céu...

Sempre estar lá

E ver ele voltar

Não era mais o mesmo

Mas estava em seu lugar...

Sempre estar lá

E ver ele voltar

O tolo teme a noite

Como a noite

Vai temer o fogo...

Vou chorar sem medo

Vou lembrar do tempo

De onde eu via o mundo azul...

Estar lá!

E ver ele voltar

Não era mais o mesmo

Mas estava em seu lugar

Sei que estar lá

E ver ele voltar

O tolo teme a noite

Como a noite

Vai temer o fogo...

Vou chorar sem medo

Vou lembrar do tempo

De onde eu via o mundo azul...



Astronauta de Mármore traz nostalgia, pelo menos para mim :)

Bjos