Olá pessoal,
Ontem eu estava conversando sobre perdão com um amigo meu (Bruno Alexandre) e fiquei pensando sobre o que é perdoar e quem “merece” perdão, quem precisa, essas coisas.
Isso é uma discussão muito profunda, envolve crenças, não vou entrar nesse mérito aqui, mas é algo bem interessante a se discutir e se pensar.
Mas, pensando na palavra perdoar, me lembrei de uma música que amo, acho a melodia linda e a letra instigante.
O título é Mil Perdões de Chico Buarque e é um pedido de perdão, mas bem peculiar.
Primeiro, já vi discussões de que é um pedido de perdão de uma mulher para um homem, já que tem um trecho que diz “Te perdôo ... Por ergueres a mão ... Por bateres em mim...”. Eu não acho isso, mulher também bate em homem :)
Para mim essa letra mostra um lado bem machista que diz que perdoa a mulher por ser tão ciumenta e neurótica com ele (“Te perdôo por ligares ... Pra todos os lugares ... De onde eu vim ... Por contares minhas horas ... Nas minhas demoras por aí”). Essa neurose na verdade é criada pela infidelidade dele (“Te perdôo ... Quando anseio pelo instante de sair ... E rodar exuberante ... E me perder de ti”) e pelo amor que ela sente (“Te perdôo ... Por pedires perdão ... Por me amares demais”).
E finaliza com o posicionamento de que, se ele trai a culpa é dela, por esse comportamento que ela tem, por esse amor demasiado, por esse cuidado e vigia e também pelo mundo machista em que ele se insere (lembrando que é uma música de 1983) – (“Te perdôo porque choras ... Quando eu choro de rir ... Te perdôo ... Por te trair”).
Mil Perdões
Chico Buarque
Te perdôo
Por fazeres mil perguntas
Que em vidas que andam juntas
Ninguém faz
Te perdôo
Por pedires perdão
Por me amares demais
Te perdôo
Te perdôo por ligares
Pra todos os lugares
De onde eu vim
Te perdôo
Por ergueres a mão
Por bateres em mim
Te perdôo
Quando anseio pelo instante de sair
E rodar exuberante
E me perder de ti
Te perdôo
Por quereres me ver
Aprendendo a mentir (te mentir, te mentir)
Te perdôo
Por contares minhas horas
Nas minhas demoras por aí
Te perdôo
Te perdôo porque choras
Quando eu choro de rir
Te perdôo
Por te trair
Também na linha da traição, lembrei de uma música que seria o oposto dessa: um homem que é traído e também continua com a mulher amada. Ele sente um amor tão grande que não entende porque ainda não a largou (“Não sei porquê Insisto tanto em te querer ... Por quantas vezes Me dá raiva de querer ... Em concordar com tudo Que você me faz ... Já fiz de tudo Prá tentar te esquecer ... Falta coragem prá dizer Que nunca mais...”). E ele ainda conclui, como na música anterior, que a culpa também é dele (pelo menos não é só dele) (“Nós somos cúmplices Nós dois somos culpados ... No mesmo instante Em que teu corpo toca o meu ... Já não existe Nem o certo, nem errado ... Só o amor que por encanto Aconteceu...”). Ele acaba perdoando a amada (“E é só assim Que eu perdôo
Os teus deslizes”). Deslizes, música muito famosa na voz de Fagner.
Deslizes
Michael Sullivan / Paulo Massadas
Não sei porquê
Insisto tanto em te querer
Se você sempre faz de mim
O que bem quer
Se ao teu lado
Sei tão pouco de você
É pelos outros que eu sei
Quem você é...
Eu sei de tudo
Com quem andas, aonde vais
Mas eu disfarço o meu ciúme
Mesmo assim
Pois aprendi
Que o meu silêncio vale mais
E desse jeito eu vou trazer
Você pra mim...
E como prêmio
Eu recebo o teu abraço
Subornando o meu desejo
Tão antigo
E fecho os olhos
Para todos os teus passos
Me enganando
Só assim somos amigos...
Por quantas vezes
Me dá raiva de querer
Em concordar com tudo
Que você me faz
Já fiz de tudo
Prá tentar te esquecer
Falta coragem prá dizer
Que nunca mais...
Nós somos cúmplices
Nós dois somos culpados
No mesmo instante
Em que teu corpo toca o meu
Já não existe
Nem o certo, nem errado
Só o amor que por encanto
Aconteceu...
E é só assim
Que eu perdôo
Os teus deslizes
E é assim o nosso
Jeito de viver
E em outros braços
Tu resolves tuas crises
Em outras bocas
Não consigo te esquecer
Te esquecer...
E pra finalizar, eu queria uma música que tivesse um pedido de perdão sincero e correto (se é que isso existe), onde a pessoa que traiu assumisse a culpa, a pessoa traída não fosse humilhada com uma acusação leviana e que mostrasse arrependimento e a sensação de que não valeu e não vale a pena o que ele fez. Um Dia um Adeus de Guilherme Arantes mostra que ele errou por algo que percebeu que não valia a pena (“Quanta loucura Por tão pouca aventura... O que é que eu faço Prá você me perdoar...”) e agora está perdido diante do fato de não conseguir o perdão da amada e correr o risco de perder de vez o amor da pessoa que dá sentido a sua vida (“Só você prá dar A minha vida direção ... O tom, a cor ... Me fez voltar a ver a luz”) e que ele ama como ninguém já mais amou (“Ninguém jamais te amou
Como eu”). Concordo que nessa música não fica explicita uma traição de fato, mas trair não é só com outra pessoa, trair sentimento, confiança, cumplicidade, também é trair. Na música é como se ele tivesse largado ela por uma aventura (“Um dia um adeus E eu indo embora ... Quanta loucura Por tão pouca aventura”) então ele traiu o amor dos dois por uma aventura que não valeu a pena ( tão pouca). Coloquei uma versão com Vanessa da Mata, muito bonita.
Um Dia, Um Adeus
Guilherme Arantes
Só você prá dar
A minha vida direção
O tom, a cor
Me fez voltar a ver a luz
Estrela no deserto a me guiar
Farol no mar, da incerteza...
Um dia um adeus
E eu indo embora
Quanta loucura
Por tão pouca aventura...
Agora entendo
Que andei perdido
O que é que eu faço
Prá você me perdoar...
Ah! que bom seria
Se eu pudesse te abraçar
Beijar, sentir
Como a primeira vez
Te dar o carinho
Que você merece ter
E eu sei te amar
Como ninguém mais...
Ninguém mais
Como ninguém
Jamais te amou
Ninguém jamais te amou
Te amou...
Ninguém mais
Como ninguém
Jamais te amou
Ninguém jamais te amou
Como eu, como eu...
Bjos a todos
Muito boa a música de Guilherme Arantes. Gosto muito dela, mas num sabia que ela dizia isso tudo naum. hhehhehehhhehe
ResponderExcluirJá Deslizes é, de fato, um dos hinos do corno. Essa música com uma lapada de cana e uma favinha... EITA!!!!!