O blog estava um pouquinho parado pois eu não estava com muito tempo nem muita inspiração para trabalhar em cima de uma música aqui :)
Hoje resolvi falar de uma música que acho linda. Música de Gilberto Gil sobre a visão dele sobre a fé em Deus, onde Deus pode ter vários nomes.
Uma música que representa a fé de muitas pessoas, sem muitas regras, sem amarras religiosas, sem vozes dos outros para escutar, sem promessas de lugares ou coisas a se desejar, sem ameaças a se recear, sem ganância na alma e no corpo, enfrentando as dores, sendo humilde, encarando os problemas e vendo felicidade além disso, largando o passado, encarando a vida que tem pela frente mesmo sabendo que no final das contas você não vai chegar onde esperava, não vai encontrar o que queria, pois o objetivo dessa vida é justamente o percurso, e que, para falar com Deus você só precisa de você, ser você, plenamente.
Algumas pessoas acham que é uma crítica a religiões. Pode até ser, pois ficar a sós, calar a voz, folgar os nós dos desejos e receios, seria uma forma de não ter regras, não seguir o que alguém diz, não ter medos de punições. Mas não vejo como uma crítica a fé. Ele acredita que, desfazendo as amarras e sendo só você, nu, humilde, individual, é possível atingir sua espiritualidade. Uma vez me foi perguntado no crisma se eu já tinha tido dúvidas sobre minha fé e eu respondi: Sobre a igreja sim, sobre Deus, não.
Acho que existe essa diferenciação que pode e deve ser feita. Se essa diferenciação fosse feita, existiria menos intolerância religiosa. Não quero dizer que não tenho, ou que não devemos ter religião, só quero dizer que Deus (ou o ser superior de cada um) está acima disso tudo.
SE EU QUISER FALAR COM DEUS
Gilberto Gil
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar
E aqui a versão com o próprio Gil, na época que foi lançada (1980)
Linda, não?
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