Olá pessoal,
Minha irmã Bruna França de Pontes escreveu um texto sobre música e gostaria de compartilhar aqui:
“Acordar escutando Everything Not Lost, passar os intervalos de colégio com Don't Panic, esperar a carona no High Speed, passar as férias com Politik, abafar birras da irmã no Daylight, tentar Clocks, The Scientist e Speed Of Sound no piano, viajar com A Whisper na cabeça, emprestar um dvd do A Rush of Blood to the Head, chorar com a desgraçada da X&Y, descobrir que Twisted Logic é delirante, dormir ao lado de Warning Sign.
Não foi o 'Viva La Vida', 'Paradise' ou 'Every Teardrop is a Waterfall'. Não foi a beleza do Guy Berryman ou os olhos de Chris Martin. Esses são, na verdade, quesitos nulos na influência do meu gosto por Coldplay. Não direi que o último e penúltimo cd deles me agradou da maneira que eu esperava. Como também não direi que Coldplay agora é lixo pela popularidade ter tomado conta da essência dos antigos álbuns.
Até que ponto posso deixar para trás algo que me trouxe grandes influências nos meus 14 anos? Até que ponto a mídia pode deixar uma banda ser desvalorizada aos olhos de um fã? Até que ponto a influência dessa mídia atinge a banda e a mim? Até que ponto posso julgar mal uma banda por ela estar mais famosa e encontrá-la em trilhas de novelas e versões de forró seboso? Até que ponto? Até quando?
Tomei o exemplo de Coldplay como forma de generalizar a hipocrisia da sociedade quanto aos seus gostos musicais de acordo com a "evolução" do que é tomado como BOM e RUIM. CULTURAL e FÚTIL. ROCK e POP. Moda é achar Coldplay bandinha de fresco? Moda é gostar de Beatles? Moda é dizer que é um pseudo culto e que odeia 'o sistema'? Tenho medo de acabar entrando nessa onda de pseudos (se é que não já estou) e esquecer do que, de fato, está enraizado em mim.”
Para minha irmã, gostaria de dar minha humilde opinião sobre o assunto (de forma mais geral, dado que não sou uma grande fã é conhecedora de Coldplay).
Acho que você nunca vai deixar completamente para traz algo que te deu muita influência, você pode não gostar do que é feito de novo, mas aquela música antiga será sempre uma referência.
A mídia desvaloriza e valoriza a banda que ela quer, por motivos financeiros ou não, então o verdadeiro fã não deve levar muito isso em consideração. Já a banda deve ser mais influenciada por seus fãs que pela mídia, já que muitos deles são fieis.
Julgar mal uma banda porque ela está famosa é hipocrisia, pois se ela for boa, mais cedo ou mais tarde ela será famosa, então :P O fato de ter forró seboso gravado com música dela, pode ter certeza, é sem sua autorização, duvido que alguma banda americana liberou. Eles fazem isso e correm o risco de serem processados, mas são tão porcarias que ninguém nem dá valor para o que eles fazem para cobrar o uso da música.
Sei que o que você está querendo dizer aqui é que tem pseudo intelectuais que gostam de uma banda e, quando ela fica famosa e deixa de ser “alternativa”, essa pessoa deixa de gostar dela, como se gostar de algo estranho e desconhecido é ser mais culto do que gostar de coisas famosas. Essas pessoas, nada mais são, do que inseguras de seus verdadeiros gostos, querem ser diferentes, só. Se você gosta realmente de algo, não deixa de gostar porque muitas pessoas passam a gostar. Eles podem ter ficado mais comerciais, podem, mas eles não se tornaram algo completamente diferente, se se tornarem, aí sim, você pode dizer que não gosta da música nova, do CD novo, mas não da banda, já que tem coisas que você gosta dela.
E para finalizar minha contribuição: Você está na fase da utopia da faculdade, do pensamento idealizado, da possibilidade do mundo perfeito, você está rodeada de pessoas que também pensam assim. Para a maioria das pessoas isso passa, no mundo real (trabalho, casa, sustento, impostos) você e seus amigos se tornarão mais realistas e objetivos, trocando a utopia por algo mais prático e concreto. Nesse momento o pseudo culto sumirá (se tornará vergonhoso) e a ideia de que, no final, tudo é culpa do sistema soará como algo infantil e de tentativa de se esquivar de responsabilidades e atitudes. Nesse momento, não terá importância o que é ou não da moda e sim o que ficou enraizado (e porque não até dormente) dentro de ti :)
Alguém sabe o e-mail de Arnaldo Jabor pra eu mandar esse texto pra ele lê no Jornal da Globo?
ResponderExcluirNossa, como esse blog tá ficando filosófico... nesses dias eu vou ter que parar de ler. Vai começar a ficar difícil demais pra minha cabecinha!!! hehehehehehe
kkkkkkkk somos um pouquinho mesmo :P
ResponderExcluir=P
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